Antropologia 1.º Cap (pto 1.2)

Publicado: maio 15, 2010 em Antropologia

1.2. Conceito de cultura. A diversidade cultural. Universalidade e especificidade. Cultura e civilização. O conceito de comunidade. Da comunidade localizada às localidades imaginadas e transaccionais.

 

v  Conceito de cultura________________________________________________

 

__________________________Cultura

São práticas e acções sociais que seguem um padrão determinado no espaço.

A cultura representa Modos de vida, isto é, diferentes formas de vida com tudo o que isso implica, valores, costumes, tradições, expressão da identidade, forma como nos comportamos, que para uns fazem sentido e para outros não, crenças, instituições, regras morais que permeiam e identificam a sociedade.

 

Sex XX em 1922  , a Antropologia torna-se uma ciência científica autónoma com uma forma mais especificada para o método. Se consegue reportar para uma linha metodológica como sendo a ciência da cultura.

 

Fala-se em cultura e não em culturas, isto é, devemos pensar em cultura no singular, universal, isto é pensar na sua universalidade e particularidade.

 

Cultura

                             Universalidade                especificidade e diversidade

                                          

Estudo de comportamentos e todas as ideias a eles associados:

É necessário o estudo das identidades: Étnica, Política, Transnacional e Local.

Para isso, estudamos: As universais culturais e a diversidade cultural

Cada povo tem a sua especificidade cultural. Através da cultura pensamos na semelhança e na diferença uns dos outros, das identidades culturais.

 

Estudo da cultura, através dos olhares culturais dentro da sua diversidade”

“Tem de ser visto na sua diversidade, em termos de Universal cultural”

 

v As universais culturais______________________________________________

 

As universais culturais – que são modos de pensamento, acção e comportamento comuns a todos os homens em qualquer parte do mundo – a linguagem, práticas contemporâneas de comportamento (Bom dia ou Boa Tarde); Estuda todos os comportamentos que encontramos em todas as sociedades e que nos caracteriza como seres humanos. Os nossos comportamentos (que aprendemos com os pais, e que depois também transmitimos a nossos filhos).

Isto implica o estudo de:

 

v A diversidade  culturais____________________________________________


A diversidade cultural

Estuda as especificidades das universais culturais. É enorme a diversidade e é onde se centra a antropologia, ou seja, o olhar o outro, o olhar do diferente.

A diversidade cultural engloba as diferenças culturais que existem entre as pessoas, como a linguagem, danças, vestuário e tradições, bem como a forma como as sociedades organizam-se conforme a moral e religião, a forma como eles interagem com o ambiente, variedade e convivência de ideias, características ou elementos diferentes entre si, em determinado assunto, situação ou ambiente.

É necessário concentrar-se numa característica especificamente humana.

(p/exemplo: Em Portugal são 2 beijos, em França 3, diferente na Suécia).

A religião também faz parte do homem, pois se relaciona com o abstracto, pois é necessário conforto psicológico. Há uma variedade extraordinária.

 

 

__________________Características da Cultura

 

  1. É aprendida
  2. É partilhada
  3. É omnipresente
  4. Está integrada
  5. É participada

 

ü  É Aprendida: não é biologicamente herdada, nem programada. Os comportamentos, valores, normas, são o conjunto de aprendizagem durante toda a nossa vida – exemplo: Aprendemos com os indivíduos que interagimos e com os meios de comunicação. Em 1.º lugar, iniciamos a aprendizagem com a imitação dos adultos. Temos uma educação formal dos nossos pais – mecanismos normais de ensino. Numa fase seguinte, a escola, institutos de ensino. Além de funcionar em contexto de conteúdos específicos, também nos prepara para a vida em contexto social e nos orienta para um determinado sentido – escolhem escolas religiosas ou então escolas que não tenha a religião agregada ao ensino.

Aprendemos uma cultura, porque fomos inculturados de uma determinada cultura e por isso quando saímos de nossa cultua (estrangeiro) notamos comportamentos diferentes dos outros. Esta característica tem a ver com o facto usarmos símbolos ideologicamente para variadas situações. – Exemplo: diferenciar em termos simbólicos termos ou BMW ou um Fiat.

 

ü  É Partilhada: A cultura é colectiva, do grupo, conjunto de normas e comportamentos de grupos – não é o comportamento do individuo em si– é o conjunto de normas e comportamentos do individuo dentro daquele grupo. Transmite-se dentro do grupo por gerações e enquanto elemento de partilha altera-se – Exemplo: A década de 90 é bastante diferente da década de 60.

 

ü  É Omnipresente: está em tudo aquilo que fazemos, qualquer prática que nos defina onde estamos, e afecta todo o nosso comportamento. Aquilo que temos como «certo pode não ser o certo para o outro. Portanto tudo na nossa vida está afectada pela forma em como fomos educados e inculturados – As pessoas acabam por se evidenciar em conjunto. Exemplo: Há pessoas que gostam de se vestir de forma diferente. Pessoa com uma tuna vestida em Portugal, essa pessoa não passa por indiferente.

 

ü  Está Integrada: Faz sentido sobre todos os pontos de vista, As práticas culturais estão integradas, isto é, fazem efectivamente sentido, não são aleatórias. Há elementos de valorização de uns, e desvalorização de outros. Exemplo: Vaca na Índia, é mais importante como elemento culto e de apoio e por isso a vaca é sagrada e não se toca. Exemplo 2: Vestuário branco cumprido no deserto, embora esteja muito calor, tem razão de ser) para proteger o corpo dos raios solares.

 

ü  É Participada: As pessoas envolvem-se, têm acção na construção da cultura, também a modificam. A cultura não é um conjunto de elementos inertes. Há determinadas práticas que variam e alteram-se. Exemplo: Forma dos filhos cumprimentarem os pais é bastante diferente das dos filhos cumprimentarem-se actualmente. Antigamente,  os filhos pediam a bênção aos pais, e tratavam-nos por “vossemecê” e hoje em dia, é habitual tratar por tu.

 

v Cultura e civilização ________________________________________________

 

Civilização

Exemplo:

Uma mesa cheia de feijões.

O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão. Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas.
O primeiro gesto, o de reunir todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO. O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA.
A civilização é um fenómeno colectivo. A cultura é um fenómeno individual.
Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura.

 

O homem é moldado pelo costume, isto é, A organização social, a linguagem, a religião Uma criança alemã que nasça nesse país mas que desde tenra idade (por exemplo três meses) esteja em Portugal os seus pais adoptivos não terão de ir aprender alemão para a poderem compreender, a criança nasce, e é criada ouvindo a língua portuguesas e aprende-la- à naturalmente e comportar-se-à tal como as outras crianças nascidas em Portugal e cá criadas.

 

 

v O conceito de comunidade __________________________________________

 

__________________________Comunidade

O antropólogo fez o estudo da cultura através do conceito de comunidade (categoria analítica)

É um grupo de pessoas que convivem pela proximidade geográfica, que têm algo em comum, a partilha da cultura, valores, hábitos e actividades. Ligados por laços de solidariedade.

 A cultura é tipificada, com características locais, leis próprias, regras sociais de conduta e comportamento diferenciadas de outras localidades e identidade visual marcante.

Uma comunidade é um subconjunto da sociedade que a integra.

 

 

v Da comunidade localizada às localidades imaginadas e transaccionais _____

 

Durkheim, falou de comunidade e sociedade, formas de relacionamento a nível de tradição e modernidade, em 1892  - livro Divisão social do trabalho (suicídio), existem 2 formas de relação social  1 mais tradicional – Solidariedade Mecânica, 2 mais contemporânea – Solidariedade Orgânica

O conceito de comunidade já teve alguma evolução.

Mas actualmente o conceito de comunidade está bem diferente, deixou há muito a configuração mais clássica. Hoje em dia em termos de Antropologia a comunidade se tem vindo a transformar bastante.

 

 

_________________Dimensões do conceito de Comunidade

  1. Comunidade Clássica
  2. Comunidades Símbólicas 1985
  3. Comunidades Imaginárias 1983 (Cient. Politico Benedit Anderson)

 

____________________Comunidade e Sociedade (visão clássica)

 

 

Comunidade

Sociedade

Dimensão

Reduzida

(alguns milhares)

Alargado

Valores

Comuns

Mais heterogéneo

Actividades

Especialização Reduzida

(ocupam-se todos +/- nas mesmas tarefas)

Especialização formal

Interacção (relacionamento entre si e c/ que frequência o fazem)

Frequente

Esporádica

Natureza da relação

(laços que ligam as pessoas)

Laços afectivos

(há proximidade entre eles)

Competitividade

Distância ao poder

Distante

Mais próximo

 

É o conceito clássico de comunidade.

 

O conceito de comunidade e o estudo das comunidades torna-se em meados do século XX: meados do sec a antropologia concentrou-se em terrenos próximos e não perde a sua vocação para tratar de pequenos grupos – Tradição – dos grupos primitivos. Os povos que estão disponíveis para estudar são comunidades rurais, que contem características clássicas.

 

 

Antropólogo Robert Redfield,(1952) – escreve um livro = the little community (Funciona como manual de boas práticas, um guia das comunidades)

É o Representante da Abordagem clássica de comunidade e fez estudos de pequenas comunidades – principalmente rurais

“pequena comunidade” > Grupo > Comunidade > Localidade > Cultura

O antropólogo procura pequenas comunidades que possam ser estudadas, mesmo dentro das sociedades.

Exemplo: Aldeia de Monsanto (na altura do antigo regime) era o modelo, tinha valores puros, tradição, a maioria das pessoas eram alfabetas, desqualificadas que fez com que muitos investigadores viessem para cá.

 

Estes estudos da antropologia tiverem o seu tempo, observando o seu modo de vida como que desgastada, marcou os meados do sec XX, (anos 60 e 70). Daí a busca de novos interesses, surgindo assim a comunidade urbana. Mas, esta naoi se encaixa na “pequena comunidade” e que para pertencer a uma comunidade não é necessário pertencer à mesma.

 

A partir da década de 80 surge um novo conceito de comunidade:

 

2.        Comunidades Símbólicas (1985):  pelo Antropólogo Anthony Cohen

 

Escreveu um livro “The Symbolic Construction of Community – As comunidades são construções simbólicas. O mais importante não é o número de pessoas, mas é a forma como as pessoas se vêm na sociedade e a forma como as outras a vêm. Na comunidade convergem a cultura, o lugar, as relações sociais e a identidade colectiva. Hoje em dia a comunidade depende muito da construção simbólica, ou seja a partir do momento em que nos sentimos da comunidade e as outras pessoas nos vêem como tal. Se nascem, crescem dentro da comunidade, são membros dessa comunidade, mas no entanto, há outros que podem não nascer nessa comunidade, mas têm valores diferentes, pois utilizam estratégias para se mostrarem membros. Estas estratégias simbólicas, permitem que as pessoas usem símbolos comuns, comunicar e se compreenderem – pensamento cultivado. Portanto, os símbolos fazem a cultura possível e real pois constroem simbolicamente uma ideia que querem manter.

Exemplo1 : Emigrantes – estratégia de pertença simbólica

Exemplo2 : Actos públicos de fé nas procissões

Exemplo3: Actividade piscatória (embora tenham culturas diferentes eles que reúnem e se juntam e são aceites noutra comunidade)

 

3.        Comunidades Imaginárias 1983: Cientista Politico Benedit Anderson

A nação é uma comunidade imaginada, que depende da capacidade de imaginação. Daí a noção de comunidades imaginadas . Anderson quer examinar como o nacionalismo (Diáspora – Se sentem membros e passam sua cultura aos membros seguintes, ás gerações seguintes.) capta e expressa anseios, esperanças e preconceitos nascidos no calor da vida social que passam à gerações seguintes. Pela 1.ª vez a construção da comunidade larga um dos aspectos principais – o território/ a localidade. Apesar de não se conhecerem pessoalmente, todas as pessoas interagem e se sentem membros dessa comunidade.

Anderson diz “A nação é uma comunidade imaginária porque mesmo que seus membros não se conheçam e nunca se encontrem, na sua imaginação eles pensam como sendo. Gera relações de solidariedade.

Exemplo: Comunidade Judaica, dispersa pelo mundo mas nunca deixou de pensar-se como um grupo; Embora vivessem distantes, em Portugal em Espanha… conseguiram manter viva a ideia que eram uma nação.

 

3 – Comunidade Transnacional: Tipo de comunidade actual

 

Livro – A fornteira e a identidade: Hoje, A partir do momento em que o movimento das pessoas se sobrepõem ao seu modo de vida tradicional, com entrada e saídas e reentradas (migração) As aldeia raianas – rurais – são cada vez mais comunidades cuja construção é simbólica e imaginária. A identidade local é construída através da memória, da história e da ligação virtual, mais do que ser um processo clássico de residência e do alimentar diário constante das relações directas entre os pares. Utilizam a sua capacidade de imaginação e estratégias simbólicas, que embora continuem a ter consciência da sua identidade local, também continuam a se sentirem nessa (outra) comunidade, adaptando-se a normas diferentes e padrões de actuação diferentes daquelas que são os seus. Por um lado remetem as suas origens para locais que já não são os do seu dia-a-dia,  e por outro lado, faz sobressair as suas características próprias tentando projectar a sua cultura.

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