Cognição e Linguagem_ A CRIATIVIDADE E A RESOLUCAO DE PROBLEMAS

Publicado: julho 1, 2010 em Psicologia

A CRIATIVIDADE E A RESOLUCAO DE PROBLEMAS

 

Guilford considera que enquanto:

 

  • Na inteligência é necessário um pensamento convergente (pois a inteligência depende da capacidade de raciocinar para chegar a soluções e resolver problemas),

 

  • Na criatividade é necessário um pensamento divergente já que se trata de uma actividade mental inovadora e original da qual resulta várias soluções aceitáveis para um determinado problema.

 

Existe alguma correlação entre inteligência e criatividade.

(ex: os grandes artistas ou os grandes cientistas tinham um QI acima da média embora este traço não signifique automaticamente que a pessoa que o possui seja criativa).

 

A SOLUÇÃO DE PROBLEMAS:

A solução de problemas envolve metas e obstáculos.

Ex: Vou a aula de Psicologia ou não? Em que é que eu quero trabalhar quando terminar o curso?

 

A solução de problemas também desencadeia processos cognitivos que nos permitem estudar.

  1. Ou solicitando aos indivíduos que falem sobre o que fazem quando enfrentam um problema;
  2. Ou dando determinado problema para que as pessoas resolvam e:
    1. Raciocinem alto ou que no final descrevam esse raciocínio
    2. E medindo o tempo, os erros, etc.

 

 

PROCESSO DE SOLUÇÃO DE PROBLEMAS:

A investigação aponta para determinados passos que se seguem na solução de problemas. Contudo, estes variam de caso para caso: podendo uns ser omitidos, outros repetidos e ate mesmo aparecerem por outra ordem.

 

1.      IDENTIFICAÇÃO DE PROBLEMAS

Os problemas podem surgir naturalmente ou serem intencionalmente procurados (ex: Gestor: pode querer saber se os empregados estão satisfeitos com o ambiente de trabalho. O técnico de Politica: pode querer saber se as crianças se sentem integradas na escola)

 

2.      PREPARAÇÃO PARA ENFRENTAR O PROBLEMA

Uma análise correcta do problema é muito importante para o sucesso da sua solução, sendo necessário distinguir os factores irrelevantes dos relevantes. Para isso deve-se: Definir metas; Verificar o que tem de mudar, Avaliar dificuldades e Identificar possíveis estratégias de solução.

 

EX: Técnicos: Sentem que têm um horário muito sobrecarregado; avalia-se a possibilidade de recrutar mais técnicos ou de dar aos primeiros horários mais flexíveis. Os Técnicos não querem mais dinheiro, querem é mais tempo livre. Se o problema não fosse correctamente identificado aumentar-se-iam os salários e NÃO se resolveria o problema.

 

3.       TENTATIVA DE SOLUÇÃO DO PROBLEMA

As tentativas de solução de problemas dependem:

 

  • Do problema considerado. Se é complexo pode subdividir-se; podem usar-se imagens mentais de soluções possíveis.

 

  • E de quem está a tentar resolvê-lo:
    • Uns usam sempre a mesma estratégia enquanto que outros usam estratégias diferentes consoante o problema;
    • Uns dedicam muito tempo e são minuciosos nas estratégias que usam enquanto que outros respondem com base em palpites, impressões, etc.

 

4.       AVALIAÇÃO DA TENTATIVA DE SOLUÇÃO DO PROBLEMA

 

O problema, a habilidade e personalidade de quem tenta resolver (entre outros factores) vão fazer com que dada solução seja aceitável ou não.

 

 

FACTORES QUE PODEM INFLUENCIAR A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS

Aprendizagem passada – O que já sabemos, experiências positivas ou negativas.

 

Transferência positiva: quando a experiência anterior aumenta a habilidade do indivíduo em resolver problemas. O indivíduo adquiriu uma atitude para aprender, ou seja, “aprendeu a aprender”.

Ex:. O individuo responde a tantos testes que se torna especialista em responder.

 

Transferência negativa: quando a experiência anterior retarda a nova aprendizagem e a resolução de problemas. O indivíduo dá respostas estereotipadas e mecânicas impedindo uma solução eficiente do problema.

e.g. Estamos habituados a utilizar os objectos para dados fins e não vemos a sua utilidade para outros.

 

  

 

 

 

 

CRIATIVIDADE

 

Capacidade distinta de solução de problemas que permite as pessoas terem ideias e produtos originais que são úteis e desenvolvidos.

 

COMO É QUE SE MEDE A CRIATIVIDADE?

 

Para medir a criatividade normalmente eram apresentadas tarefas que implicavam pensamento divergente (ex. combinar figuras geométricas).

 

Contudo a validade destes testes começou a ser questionada por razoes várias:

 

  • Quando pessoas que eram eminentemente criativas se submetiam aos testes o seu desempenho não se distinguia;

 

  • Os resultados não estão coerentemente ligados a traços associados à criatividade como sejam a curiosidade, a persistência, a inteligência, etc.

 

 

Alguns pesquisadores preferem avaliar personalidades do que pensamento divergente.

Nalguns estudos procuram medir nas pessoas comuns, traços que usualmente caracterizam as pessoas criativas.

Ex. Gary Davies pediu a estudantes que:

  1. Escrevessem poesias, contos, e dessem ideias para invenções e que,
  2. Preenchessem 1 questionário sobre as suas personalidades

 

Ao comparar os dados, Davies observou que os estudantes que tinham os trabalhos mais originais tinham traços comuns de personalidade, isto é, pessoas criativas.

 

 

 

Assim parece ser vantajoso combinar:

a)      Testes de personalidade

b)      Com medidas de realização imaginativas de forma a identificar pessoas criativas na população geral.

 

·         Presentemente conhecem-se alguns traços de personalidade, antecedentes e condições ambientais que estão associados a realizações imaginativas:

 

→ Um estudo realizado na Califórnia mostrou que as pessoas criativas tendem a ser vistas como:

  • Engenhosas, com pensamento claro, preocupadas, complicadas…
  • São persistentes e dedicam muito tempo à exploração e definição de problemas.
  • Desenvolvem desde cedo o interesse por experiencias interiores, como as crianças possuem habilidades especiais que gostam de usar sendo encorajados pelas famílias.
  • Não são cultivadas intimidades nem grandes dependências do círculo familiar.

 

·         Maslow associou criatividade com saúde mental.

·         Segundo Frank Barron: “Se a adaptação e a maturidade em relações humanas são essenciais na saúde mental, então frequentemente o génio criativo não é saudável”

e.g. Beethoven (o raivoso); Van Gogh (o solitário)

 

FORMAÇÃO DO PENSAMENTO CRIATIVO

 

Tanto quanto se sabe o treino de criatividade pode aumentar a originalidade e as habilidades de pensamento divergente.

 

Na Escola – exercícios: que treinam os alunos na resolução de problemas e onde são dadas várias soluções para o mesmo problema, fazer pesquisa, composições, etc.

 

Na Empresa –os indivíduos são convidados a produzir ideias sobre determinado assunto – como aumentar a produtividade? Como obter maior satisfação no trabalho? etc..).

 

A CRIATIVIDADE e a RESOLUÇÃO de PROBLEMAS

 

Existem várias estratégias a utilizar:

 

1.      Redefinição dos problemas (implica “mexer” nas premissas).

2.      Fraccionamento: dividir o problema em partes e encontrar soluções para cada uma chegando assim a solução do todo.

3.      Perspectiva crítica: procurar excepções, contradições etc. nas premissas

4.      Considerar o contrário

5.      Recurso a analogias

6.      Pensar de modo divergente

7.      Assumir a perspectiva do outro (colocar-se no lugar do outro)

8.      Usar a heurística – Há algumas que são contraproducentes

9.      Experimentar várias situações (e.g. brain storming)

About these ads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s