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 O objectivo deste trabalho é explorar a questão da identidade colectiva partindo dos exemplos que o filme Uma Rapsódia Americana, de Eva Gardós (2001) exibe. Existe nitidamente uma chamada de atenção às questões de pertença, identidade e alteridade.
 

Antopologia_ 3.º Capítulo_1.pto

Publicado: julho 1, 2010 em Antropologia

PONTO 3.

PODER E SOCIEDADE, PODER E CULTURA. O PODER POLÍTICO COMO SISTEMA. AS ADERÊNCIAS EXTERIORES DO PODER. MODELOS HISTÓRICOS DE ORGANIZAÇÃO POLITICA.

                                          PODER E SOCIEDADE, PODER E CULTURA

 

Antropologia polítca:

A política contém: relações de poder e autoridade, apresenta estratégias de tomada de decisão e estruturas de controlo social (tais como bandos, tribos, Chefaturas e estados).

A antropologia política detém-se sobre todos os assuntos inclusive sobre a etnicidade e o nacionalismo sendo uma das áreas de especialização mais sólida dentro da Antropologia.

A antropologia política desenvolve-se a partir dos anos de 1940, Altura em que se torna autónoma e que aparecem o 1.º publicações da Antropologia sobre o poder e a vida política das sociedades, que provavam o interesse dos Antropólogos É no domínio Africanista que os antropólogos fazem as suas 1.º explorações. (principalmente provocam o interesse dos antropólogos britânicos sobre o poder em contexto africano).

É em 1940 também que surge uma obra de referência para a Antropologia Política – Sistemas Políticos Africanos – a qual foi coordenada por Evans – Pritchard e Meyer Fortes.

 - A Antropologia Política é considerada a disciplina que estuda as instituições do governo (estuda o estado) nas quais os homens estão representados e a forma como estas regulam as sociedades.

É o instrumento que permite descobrir e estudar quais os mecanismos que permitem assegurar o governo dos homens, assim como dos sistemas de pensamento, e símbolos que o fundamentam. É altamente variável e Universal. Exemplo: Ser presidente em Pt é diferente de ser Presidente na comunidade iraniana.

 

O poder:

- Max Weber foi o mentor do conceito de poder. Defende que o poder é um conceito Sociológico:

 O poder é a capacidade que uma pessoa tem de fazer exercer a sua vontade sobre os outros, com a capacidade de se impor, mesmo que tenha resistência, podendo contrariar a vontade dos outros.

Na abordagem ao poder, os Antropólogos tem interesse sobre quem chega ao poder e estudam as relações entre o poder e pelos outros segmentos da sociedade, tais como as relações entre o poder e a economia, o poder e o parentesco, a economia e o domínio do sagrado, o poder e a cultura.

O poder está presente em tudo e em todas sociedades, é transversal porque as relações sociais são assimétricas. O poder está sempre em alguém superior a outra, mesmo que não concordemos com as decisões de alguém superior a nós temos que cumprir. Por outro lado, quem tem pouco poder tem pouca capacidade de se impor.

No espaço doméstico é a ascendência que os pais têm sobre os filhos.

 

                                              O PODER POLÍTICO COMO SISTEMA

Poder Político – é o poder exercido na esfera pública que afecta toda a sociedade.

É a capacidade que um grupo ou pessoa tem de exercer a sua vontade sobre os outros, tendo a capacidade de influenciar, condicionar, determinar ou obrigar outros a desenvolver actividades que têm um carácter público.

Características do poder político:

o   O poder traduz uma imposição. Esta imposição não pode nem deve ser puramente arbitrária com vista em si mesma, mas deve ser pensada na óptica de quem a recebe. Existem estruturas e mecanismos que são hierarquicamente dispostos, os quais impõem aos cidadãos o cumprimento das regras sociais. Estes, têm que se conformar com o que lhes é imposto.

 

o   É uma Escolha (1) – Nos podemos escolher dentro de um grau variável, quem é que nos vai representar e quem nos vai impor determinadas normas as quais nós temos que respeitar. Os que não concordam, aguardam que seja chegado o momento de poder escolher novamente.

 

o   (2) – Também é escolha a nível daqueles que o têm. Os detentores do poder também fazem a sua própria escolha ao decidirem qual a opção mais correcta para a governação.

 

o   É Coacção – Quem está no poder tenta lançar mecanismos para impor a sua vontade aos outros (a resistência) com a função de limitar os efeitos de competição. Implica a obediência de quem está do outro lado, pois tem que cumprir as vontades impostas, mesmo que não esteja de acordo com as decisões tomadas. Quem não cumpre pode ser sancionada.

 

Porque é importante o poder? (funções do poder)

o   o respeito pelas regras sociais, sabendo como se devem comportar na sociedade;

 

o   Para limitar os efeitos da competição. Em grupo os indivíduos têm tendência para se tornarem mais competitivos, mas a competição não é necessariamente nefasta, pode também ser bastante saudável, no sentido de ser desafiadora incentivando a serem mais produtivas, “empurrar as pessoas para a frente”.

 

o   Outra função do poder segundo o Ant. Georges Balandier, é limar as arestas da sociedade, ou seja, tratar das imperfeições da sociedade. O Ant. afirma que as instituições deveriam funcionar sem que ninguém fosse sacrificado. Mas, no poder existem disfunções que surgem das situações desagradáveis, provocadas pelo mau funcionamento, quebrando a ordem na sociedade. Deste modo, é necessário repor a ordem na sociedade.

 

 

Implicações do poder – O QUE É QUE  É EXIGIDO AO PODER POLÍTICO:

 

 

o    GARANTIR O PRINCÍPIO PELA RECIPROCIDADE (o dar e receber), princípio básico no poder político. A sociedade escolhe a pessoa mais adequada e acredita nele, e esperam portanto que as suas expectativas também se cumpram. A sociedade dá o seu voto pois quer algo em troca, que quem está no poder cumpra o programa estabelecido. No entanto, Quem tem o poder e se esqueça deste princípio, corre o risco de perder esse poder.

 

o   TER LEGITIMIDADE. A legitimidade é um princípio fundamental no poder político, pois este só se mantém enquanto for reconhecido na sociedade. O poder exercido tem que ser justificado, para que não surjam falhas na legitimidade. Desta forma, o poder Político tem de ter legitimidade para tomar determinadas decisões e a sociedade tem de considerar que essas decisões são válidas. A única falha na legitimidade é duvidar-se dela. Nota: A legitimidade não é o mesmo que discordar. As pessoas não concordam com a decisão, mas não retiram a legitimidade ao governo. Aguardam que seja chegada a altura de escolher novamente.

 

o   Também Implica a obediência, isto é o respeito pelas regras sociais. Mas esta não se aguenta nem se justifica sozinha, os cidadãos tem de perceber que a obediência é um dever.

 

                               MODELOS HISTÓRICOS DE ORGANIZAÇÃO POLITICA.

 

As 1.as abordagens situam-se sobre as FORMAS ARCAICAS DO PODER

Em meados do séc XX, os antropólogos olharam com interesse para as formas de poder das sociedades primitivas, que apresentavam modos e estratégias de governação que não se baseavam em princípios de poder moderno.

Por exemplo: Malinovski e Franz Boas, quando foram estudar outras sociedades encontraram poderes diferentes

 

O PODER MODERNO  - É o modelo que sai da Revolução Francesa em 1789;

 - O que o caracteriza é a democracia o povo é quem elege os seus representantes para o poder;

 

O PODER NAS SOCIEDADES PRIMITIVAS – Desde logo o poder nestas sociedades ditas primitivas, tinha uma relação muito próxima com o domínio do parentesco e caracterizava-se por estar interligado a outros factores extremamente importantes na construção das sociedades.

            Esquema das sociedades ditas primitivas:

O poder político não pode ser estudado desligado de outras dimensões da sociedade. Tem um carácter sistémico com ligações profundas em 3 domínios fundamentais: Parentesco, domínio com o sagrado e com a economia.


 

O PARENTESCO define as pertenças familiares e as descendências familiares. Nestas sociedades o critério da descendência assume um carácter muito importante. As relações familiares definem que tem acesso ao poder. Este principio não é exclusivo das sociedades arcaicas, tb se verifica em algumas monarquias europeias.

O DOMÍNIO PELO SAGRADO tem uma relação muito próxima com o poder político. As sociedades teocráticas são casos em que o chefe político é simultaneamente o chefe religioso. A religião é a base do funcionamento político. Existe uma religião oficial e todos estão obrigados a ser dessa religião.

A ECONOMIA – O poder económico pode ser sinónimo de poder político. Em muitas sociedades o que determinava a ascensão ao poder politico era a capacidade de acumulação de riqueza. O chefe de uma tribo, era aclamado como chefe de acordo com seus bens económicos, ou seja dos bens que ia adquirindo ao longo da sua permanência como chefe. Chefe era chefe enquanto fosse o mais rico entre os chefes.

 Exemplo: Nestas tribos, existiam determinados rituais inerentes à sua cultura e um deles era designado como POTLACH – O potlash consistia numa cerimónia em que todos os representantes (chefes), individualmente tinham que construir uma pirâmide de variados bens e produtos de riqueza, ex: (cobertores de peles de animais , utensílios para caça, ferramentas), que iam adquirindo ao longo do seu período de chefia, através dos seus subordinados, que quanto mais riqueza gerassem ao chefe maior era o tamanho da pirâmide de bens  e  maior seria o seu prestígio político.

 - O chefe que tivesse o maior numero de produtos e excedentes na pirâmide seria o eleito, essas pirâmides de produtos depois eram queimadas e o que conseguisse fazer a maior Pira, era o que supostamente tinha adquirido mais valor ao longo do tempo, e, ou seja ficaria o chefe mais prestigiado, enquanto os outros acabariam por perder o titulo  e alguns dos seus subordinados, que passavam para a tribo do chefe que tinha sido aclamado como o mais prestigiado de todos.

 

SISTEMAS POLÍTICOS PRÉ – INDUSTRIAIS  - ou seja Pré – Modernos, são formas de governo que foram mais frequentemente encontradas em algumas culturas que se afastavam do modelo primitivo.

 

1 SISTEMAS POLÍTICOS DE PODER NÃO CENTRALIZADOS

- o poder não está concentrado numa só pessoa, nem sequer existe um cargo de poder; O poder é do grupo, é um poder difuso está distribuído pelos membros do grupo;

Exemplos de sistema de poder não centralizado:

(1). BANDOS (constituídos entre 30 até 150 indivíduos O líder tem liderança informal e ocasional)

(2). TRIBOS (podendo atingir os milhares de indivíduos. Líder sem poder mas com alguma autoridade)

 

 - Nestas sociedades só existem Líderes e os Líderes eram considerados conselheiros, orientadores do grupo. Estes Líderes eram conhecedores de muitas áreas como a fauna e flora do seu meio envolvente Ex (sabiam quais eram as diversas plantas medicinais apropriadas para a cura de determinadas doenças.).

 - No entanto esses Líderes não tinham poder de decisão, nem sequer exerciam nenhum cargo de chefia, mas devido ao seu conhecimento pela área envolvente e  ao meio que os rodeava destacavam-se conduzindo sempre o grupo no caminho certo.

 - O líder neste tipo de sistemas, reúne o grupo. O grupo por sua vez, decidem quais os objectivos a alcançar e quem é que irá continuar a guiar o grupo – como Líder.

 - Normalmente neste sistema (de poder não Centralizado), estes grupos eram nómadas, não possuindo sentido de posse, pois não estavam sempre no mesmo local, sendo sociedades caracterizadas no seu tipo de subsistência como caça e recolecção para os bandos, (que normalmente eram constituídos entre 30 até 150 indivíduos), e a agricultura extensiva e pastoreio para as tribos (sociedades mais extensas podendo atingir os milhares de indivíduos), quando determinada terra estava saturada, não dando mais sustento à vida do grupo, ou deixasse de existir quantidade de caça suficiente para alimentar todo a sociedade, eles automaticamente se deslocavam para locais onde esses meios de subsistência fundamentais à vida dos grupos predominassem com abundância.

 - A estratificação Social é igualitária– Não existiam mecanismos de hierarquia, nem se quer hierarquias estruturadas – eram considerados todos iguais, todos estavam ao mesmo nível.

 - Podemos concluir, que neste tipo de sociedades em que o poder não está concentrado numa só pessoa, nem sequer existe um cargo de poder, ou seja todos são iguais e todos colaboram nas decisões e nos objectivos do grupo, quando assim não é necessário que existam mecanismos hierárquicos – todos estão ao mesmo nível.

Bando: é constituído por líderes ocasionais surgem como lideres de reduzida dimensão (aprox 150 pessoas), subsistindo da caça e da recolecção, e são nómadas. A sua liderança é a nível familiar e dependem da sua capacidade de desempenhar tarefas importantes. Do seu poder não advém nenhum beneficio nem nenhum estatuto. Constituem um exemplo de liderança informal, não tendo autoridade para impor algo. O líder ocasionar não pode mandar mas apenas sugerir, não pode ordenar mas apenas pedir. O líder tem o princípio da reciprocidade partilhada. Exemplo dos Bandos: Kung, Pigmeus, Eskimo.

Tribo: Tipo de liderança conhecida como Big Man. O líder tem autoridade e é muito relacionado com as trocas económicas como a redistribuição, sendo o papel fundamental do Big Man. A sua principal função é ser líder carismático, tentando a resolução de conflitos e disputas, repondo a ordem. Ele funciona como um exemplo a seguir, pode recomendar, persuadir mas raramente pode comandar. Normalmente são identificáveis através de seus símbolos de poder. Espera-se que seja generoso, que organize o trabalho e que represente a comunidade junto de outros grupos. O líder tem assim o principio de reciprocidade da troca. Exemplo de tribos: Nuer e Chyenne.

2SISTEMAS POLÍTICOS DE PODER CENTRALIZADOS – (CHEFATURA E ESTADO PRIMITIVO)

 Chefatura: são sociedades hierarquizadas com algumas linhagens e os seus membros têm um estatuto social mais elevado do que outras linhagens. É um sistema em que já existe um cargo de chefia, pela sua condição de chefe ele já se consegue impor;

O Chefe “nasce “para ocupar o cargo e pode transferir o seu poder e autoridade para os seus herdeiros ou pode nomear o sucessor. Aquele que ocupa o cargo do poder é sempre diferente dos demais, sendo visível a distancia entre o chefe e os demais. No entanto o cargo dele depende muito, de, quem ele tem sobre a sua orientação;

 

 - Normalmente o Chefe, nestes sistemas subornava as pessoas, ao dar-lhes privilégios, concedendo-lhes títulos, terras, para que elas o continuassem a o eleger como tal;

 

 - No entanto, esse procedimento por parte dos chefes ao conceder esses títulos e terras, favorecendo mais a uns e não a outros (princípio que não era igual para todos), o que veio a originar uma hierarquização Social, e o aparecimento de outros mecanismos de poder.

 

 - Contudo, o chefe neste tipo de sistema, para sobreviver tinha que manter o Princípio da Lealdade, se tal não acontecesse, se o chefe deixa-se de ter o tal Status quo, rapidamente cairia da cadeira.

 

Estado Primitivo: Surge na época dos Descobrimentos. Nessa altura a antropologia era de gabinete em que os primeiros missionários embarcaram nas naus junto dos descobridores, à procura de novas terras, e com o intuito de fazer etnografia – trabalho de campo, a fim de descobrir novas culturas, novos povos, para que quando regressassem pudessem transmitir aos Antropólogos. Esses mesmos missionários quando chegaram ao terreno, descobriram estruturas muito próprias, com o seu próprio sistema, com os seus anciãos que decidiam como é que a lei era praticada no seu seio.

 O estado primitivo eram sociedades com muitos milhares de indivíduos e com alguma propriedade privada. Viviam da agricultura intensiva. As trocas económicas eram efectuadas com base no comércio na recolha de impostos através da doação de produtos de cultivo como (batatas, cenouras etc.). O líder era soberano suportado por uma burguesia aristocrata. No estado primitivo já existe leis e punição formais, podendo recorrer ao uso legítimo da força. A estratificação social era por meio de classes (sociedade estratificada). A lealdade ao estado era um meio de integração social através do comercio e especialização.

 

ESTADO MODERNO / ESTADO NAÇÃO

O estado moderno, nação, emerge no Sec. XVIII/ XIX na sequência da revolução francesa.

ESTADO MODERNO – deixa de existir uma monarquia absoluta , e gradualmente passa a existir um estado de direito, em que aos olhos do Estado todos são iguais. Não há benefícios de nascimento, ou seja, o clero e o povo mantem-se mas deixaram de ser súbditos ao rei passando a ser cidadãos.

TAMBÉM SE CHAMA ESTADO NAÇÃO –Cada nação enquanto unidade cultural distinta deve constituir-se como um estado de direito. Surge também a divisão de poderes – executivo e o legislativo, e dizia –se cada Nação o seu Governo.Comunidade que está formada por um conjunto de valores de natureza objectiva (língua falada, territórios do espaço nacional) e de natureza subjectiva (vontade de fazer parte da nação).

Em teoria todos os estados modernos são estados nação, na prática são raros os que são estados nação.

1.º estado nação, na Grécia em 1832: O facto de fazerem parte do império romano há 4 séculos, puderam manter a sua identidade religiosa; Tiveram Legitimidade para se assumirem-se como nação, pois tinham uma cultura própria, religião e direito à soberania, este tipo de nação na Grécia foi o espelho impulsionador para a formação de um estado nação na  Itália em 1861.

Este exemplo da Grécia, inspirou também a Alemanha, os EUA.

 - No entanto por vezes é difícil falar no estado nação, porque por vezes, existem várias nações sobre um único estado. Exemplo da França e Espanha.

 

 

CARACTERÍSTICAS DO ESTADO MODERNO ,NAÇÃO:

o   A sua Territorialidade – é uma marca de identidade estatal muito forte. O estado moderno valoriza muito o território nacional, isto é, um território que se encontra fechado dentro da sua própria fronteira. Antigamente eram muito difusas pois não se sabia distinguir. Valoriza o território pois é um dos seus pilares de legitimidade, que têm o poder de legislar, fazer cumprir a lei e impor a lei.

o   Lei e  o uso da força:  o estado nação tem uma propenção para assegurar a ordem e o funcionamento da sociedade sendo que a lei é igual para todos, e o estado cria leis e coloca-as em acção podendo sancionar. A centralização da lei se torna possível porque Os cidadãos são iguais perante a lei, não importa a sua origem, se é rico, se foi guerreiro. Ao contrário do que não acontecia em estados anteriores, na idade média que e pré moderna que existiam: o rei e os súbditos do rei (nobres  alto clero, povo e baixo clero e o servo), e o facto de o servo matar um senhor eram mais pesado do que o senhor matar um servo.

 

o   Cidadania – O indivíduo é sujeito de direitos e deveres. o Estado tem expectativas, as quais são impostas e obviamente têm que ser cumpridas e do mesmo modo, cidadãos também têm expectativas em relação ao estado. O estado cumpre as suas obrigações com todos de igual modo e espera que os cidadãos também cumpram. Ou seja deveres e direitos iguais para todos.

IGUALDADE – LIBERDADE – FRATERNIDADE

UNIVERSAL

 

 

o    Soberania – Todos os estados Modernos são, por definição, soberanos,.  O estado sendo suberano não admitem qualquer intervenção exterior. Por exemplo o facto de pertencermos à EU, somos parte de uma agência politica que não é portuguesa. Estas autoridades são supranacionais.

 

o   Carácter abstracto –“o estado não tem rosto” é uma estrutura abstracta.  O que conhecemos do estado é através daqueles que dão a cara  por ele. É um estado sem rosto, todos fazem o estado, bem ou mal pela experiência de cada um. Nós relacionamo-nos com o estado através das instituições e papéis e falamos do estado através da experiencia de vida que faz com que falemos bem ou mal.

 

 

ANTROPOLOGIA E O ESTADO.

- O estado Moderno foi objecto de estudo da Antropologia Política, sendo efectuado um trabalho de campo de uma forma empírica. Esse trabalho é efectuado pelos antropólogos junto das pessoas que conhecem verdadeiramente o estado, os que representam ou trabalham com o estado.

O estado é o fenómeno político mais estável e mais centralizada sendo um estudo de enorme relevância para a antropologia. O estado é o desenvolvimento de um maior alcance político, com lideres com capacidade de aplicar a lei e o uso da força.e organização e defesa dos seus membros e recursos.

A antropologia assumiu relativamente ao estado, uma postura máxima das formas anteriores de organização social. Encara o estado como sendo a forma de organização politica mais estruturada.

 

MOTIVO DE INTERESSE ANTROPOLÓGICO PELO ESTADO MODERNO/ NAÇÃO

 “Aspectos mais importantes”

 (1) A CRISE DO ESTADO NAÇÃO, aspecto este mais trabalhado nas décadas de 80/90, com o intuito de tentar perceber se os acontecimentos tinham transformado um estado nação em estado de crise. Por exemplo, deu-se essencialmente com: A Globalização (com o seu fluxo de bens e pessoas se desgasta o poder do estado nação. – Com a queda o Muro de Berlim – e com a forma como o mundo bipolarizado deixa de existir.

 (2) CONSTRUÇÃO CULTURAL DO ESTADO E DA CIDADANIA: o estado é culturalmente construído. Ideia que cada grupo tem é variável em função da sua cultura. Cada pessoa tem a sua experiencia em relação ao estado. Se a nossa experiencia for negativa, construímos um significado/entendimento negativo sobre isso. Por exemplo hoje temos uma grande descontracção ao ouvirmos o hino nacional, ou usarmos a bandeira nacional, ao contrário de nossos pais, que o hino ou a bandeira impunha respeito com o estado.

Exemplo do contrabando: prática social, politicamente legitimada para alguns devido às condições , pois o estado não se preocupava com as pessoas na fronteira. Então as suas experiencias com os guardas eram muito negativas.

A CIDADANIA : todos os que estão no território do estado tendo lá nascido ou mesmo sem ter nascido., conseguiram um estatuto são considerados como cidadãos. Todos os cidadãos têm direitos e deveres instaurados pelo estado. é um conceito que tem uma dimensão cultural, bastante variável entre as sociedades. As pessoas se desculpam através do tratamento que o estado lhes dá (“porque é que devemos cumprir se os outros não cumprem e são beneficiados?)

A antropologia na questão de cidadania tem estudado muito a lei de Max weber em que o estado não exerce sempre da mesma maneira, havendo variações no modelo.

Existem 3 domínios de abordagem antropológica da cidadania: (a) modo de legitimação politica e social da condição de cidadão. (b) a cidadania face a outras formas de identificação colectiva (c) cidadania e território e diferentes escalas de exercício da cidadania.

 (3) DUALIDADE ENTRE O PODER CENTRAL E O PODER LOCAL – O poder Local, tem uma perspectiva mais micro e estuda em profundidade. Com muita frequência vermos o poder do estado sãs suas agencias locais (autarquias, freguesias, conselhos). O poder local procura uma forma mais básica de exercício. Estudo esse efectuado através dos utilizadores locais – Para muitos o único contacto com o estado é através da Autarquia, Câmara Municipal e Registo civil.

 Nota: No fundo a Antropologia Política ao se interessar pelo estudo do Estado Moderno, é sobretudo um estudo direccionado para a observação  da  relação das pessoas entre as instituições.

A IDENTIDADE: ESSENCIALISMO E CONSTRUTIVISMO.

 - A identidade como identidade pessoa (identificação)l, inicialmente começa a ser uma área da Psicologia.

- Só a partir dos anos 70/80, é que a Antropologia e a Sociologia adquirem o tema da Identidade como um dos mais importantes. Aos anos 80 o conceito de identidade era ainda um tema muito complexo.

Ex: O nosso BI/ Cartão do cidadão – que nos define como cidadãos Portugueses, em primeira instancia, que contém a nossa identificação – a nossa impressão digital – a nossa cor de olhos – altura etc.

- Todos eles são factores identitários fazem parte da formação da nossa identidade.

 

 - Mas o que verdadeiramente interessa à Antropólogia política, é a Identidade Colectiva.  

 

 

IDENTIDADE COLECTIVA

É um dos temas preferenciais da Antropologia.

 - Este conceito começa a ser compreendido melhor a partir dos anos 80. Daí se começa a teorizar o factor da Pertença de cada pessoa a vários grupos.

 - Significa que nós em simultâneo temos pertenças muito diversificadas no nosso quotidiano, as quais traduzem dimensões de identidade variadas. A nossa dimensão é a nossa configuração de identidade com vários grupos.

  - Podemos dizer que a nossa identidade é constituída por variadíssimas partes que estão inter-relacionadas.

As identidades não são cristalizadas: isto é alteram-se ao longo do tempo, tendo em conta o seu quadro de relações e a sua experiencia de vida.

 - A tal Pertença a vários grupos, que acabei de referir à pouco, implica que se tenham que relacionar uns com os outro. Esta constatação fez com que muitos cientistas estudassem este tema.

Relação entre:

NÓS……………………………OUTROS

SEMELHANÇA……………. DIFERENÇA

INCLUSÃO………………… EXCLUSÃO

 

 

DEFINIÇÃO DE IDENTIDADE COLECTIVA

 

 

- Relação entre NÓS E OS OUTROS: Para Nós nos definirmos uns com os outros, estamos a assumir que existem outros e nos definimos como membro de um grupo. (falar de nós mas conceber a existência de outros)

 

- Relação entre a SEMELHANÇA E A DIFERENÇA: Quando falamos em identidade Portuguesa todos nós somos semelhantes, pois pertencemos a esta identidade, somos Portugueses.- Quando falamos em diferença – Por exemplo no que diz respeito à igualdade de género Homem e Mulher – são considerados dois grupos distintos.

 

- Relação entre INCLUSÃO E EXCLUSÃO: Quando falamos de identidade e falamos de nós próprios estamos a incluirmo-nos, como agentes dessa identidade.

 - Quando falamos de nós próprios e em simultâneo da etnia cigana, estamos a excluí-los derivado à sua configuração étnica, com cultura e identidade diferentes da nossa.

Exemplo a etnia cigana, são portugueses, mas têm uma configuração étnica tão especifica que os colocam de parte.

 

 -  A partir de 1989, com a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra fria -  À uma necessidade de se estudar a INCLUSÃO E A EXCLUSÃO, através das Políticas de Integração.

Ex: Estudo efectuado sobre a vinda de emigrantes do Leste – Quando nos anos de 90/91, começaram a chegar os primeiros emigrantes, derivado ao fim da guerra fria e da Queda do Muro de Berlim, houve necessidade de se adoptar estas Políticas de Integração.

 - E é a partir dos anos 90, que os cientistas sociais, começam a concentrar-se de uma forma mais profunda nas questões do estudo das identidades.

 

INTERESSE DA ANTROPOLOGIA SOBRE A IDENTIDADE

  - A antropologia como ciência social não podia deixar de dar o seu contributo no estudo das identidades e começa a estudar a IDENTIDADE COLECTIVA.

  - Numa 1.º fase: focaliza-se na Identidade Colectiva do GÉNERO – o facto de ser homem ou ser mulher tem as suas diferenças, e a forma como o género condiciona as questões do quotidiano, sendo uma questão de relativismo cultural. Os Antropologos questionam-se: Como é que o género condiciona a forma de resolver as vida?; Qual é o peso que a cultura tem pelo facto de ser homem ou mulher?; porque aprendemos a ser homem ou mulher no grupo em que estamos inseridos?

 - Como facto do indivíduo sair do perfil traçado na sua sociedade e cultura pode ter consequências muito nefastas. Exemplo da “Maria rapaz”

- Numa 2.ª fase: focaliza-se na Identidade Colectiva do ÉTNICA – É a área mais trabalhada pelos Antropólogos, Através do estudo que efectuam diariamente nas diversas instituições e organizações. O que define as etnias é a sua cultura, valores e costumes.

 - Numa 3.ª fase: nas Identidades Colectivas LOCAIS E NACIONAIS  - São também um objecto de estudo Antropológico em meados dos anos 80  - E está inteiramente ligada à escala de pertença.Com a Globalização, cerca dos anos 80 tudo fica diferente, tal como a cultura própria de cada País e região altera-se rapidamente, as pessoas internacionalizam-se indirectamente através da forma como se vestem, daquilo que comem, dos hábitos que adquirem, e é nessa fase que se pensava que as pessoas acabariam por perder as suas próprias identidades, tanto locais como nacionais.

As escalas de pertença seriam cada vez mais globais e perderiam muito a capacidade de agrupar pessoas.

  -  E sobretudo nas identidades nacionais, que são profundamente agregadoras, e que apesar dos indivíduos,  já estarem numa fase de consumo  global, a Escala de Pertença não se alterou. Ou seja as pessoas não perderam as suas próprias identidades.

 

Perpectivas teóricas da identidade

2 teorias para explicar a identidade:

  (1) O Essencialismo/Primordialismo: são autores que procuram valorizar aspectos objectivos e vão caracterizar a essência do grupo como se ela fosse fixa/estática (conjunto de imagens e traços). No seu ponto de vista permanecem inalteráveis. Os essencialistas, estudam a História a Cultura e a Língua, como se não houve-se mudança, eles falam da Língua como se não fosse um organismo vivo.

 A Perspectiva Teórica Essencialista, concentra-se mais nos aspectos da semelhança.

 

 (2) O Construcionismo – são autores que partem do princípio que identidade não é um estado/ essencia é um processo de construção da identidade. Toda a identidade está em construção em que o Individuo tem identidades múltiplas, relacional, tem sempre uma palavra a dizer, ou seja tem uma participação activa na sociedade.  

Contudo, houve o abandono da ideia essencialista da identidade, passando à perspectiva construcionista, a partir dos anos 70 .

 

Dentro da antropologia politica tem adquirido maior interessa na identidade nacional:

IDENTIDADE NACIONAL: é a identidade política, com o predomínio da consciência de pertença a uma comunidade politica. As identidades nacionais estão em permanente mudança devido a factores de natureza conjectural. São dinâmicos, em movimento e vão-se alterando conforme o contacto e relação social. Ou seja, é um conjunto de características que está em constante mudança. Além disso é uma construção, pois constrói-se consoante a relação que estabelecemos com os outros tanto a nível de identidade individual como colectiva. O que caracteriza as pessoas e os grupos é a sua multiidentidade. A forma da gestão da identidade nacional de cada um varia consoante o individuo

 

 

 - História das Identidades Nacionais

 - Nos anos 40, a escola Americana de Antropologia desenvolveu estudos de carácter nacional, tem uma certa tradição na Antropologia e nas ideias do essencialismo que assentava na teoria de explicar a identidade como se ela fosse fixa.

  As identidades Nacionais são a 1.ª abordagem que a Antropologia faz às identidades;

 - É em 1939 que surge o primeiro estudo – “And Keep Your Powder Dry ou Antropologist looks to América”. Este estudo foi encomendado, pelo estado Norte – Americano, e efectuado por Margaret Mead, uma das alunas de Franz Boas; para estudar o carácter e perfil dos Norte Americanos,

 - O que o Governo Norte – Americano pretendia, era definir o perfil dos Americanos, Pois se tivessem que entrar em guerra, Já sabiam que estratégias iriam utilizar para combater o inimigo. Como é que devereiam motivar os soldados.

- Numa fase mais avançada, em 1953 -  surge outro tipo de estudo, “The Crisanthemim and the Sword”, efectuado por Ruth Benedict. – Este estudo tem uma relação entre a Docilidade ( Flor) e a Violência (Espada).

 

Contudo, Estes estudos iam à procura de questões específicas relacionadas com a essência das identidades, mas acabou por durar pouco tempo, em virtude de ser muito mal aceite pela crítica, sobretudo, por parte dos Sociólogos. Os Sociólogos achavam que este tipo de estudo era mais apropriado para os Sociólogos.

A crítica ao conceito de carácter nacional: perigo da cristalização da identidade e tendência para estereótipos. Perceberam a quantidade extraordinária de estereótipos, sendo características caricaturadas, exageradamente acentuadas.

Também parecia um trabalho muito pouco adequado á antropologia que se baseia no estudo de sociedades mais simples.

 

ETNICIDADE E NACIONALISMO. A INVENÇÃO DE TRADIÇÕES

IDENTIDADE ÉTNICA + AS ASPERAÇÕES POLÍTICAS =  IDENTIDADES NACIONAIS

 

ETNICIDADE     E    NACIONALISMO

 

                                     SENTIMENTO e  IDEOLOGIA  -  PRÍNCIPIO POLÍTICO

ETNICIDADE: A Etnicidade refere-se aos aspectos relativos à relação entre grupos que se consideram e são considerados pelos outros como sendo culturalmente distintos. Relação entre pessoas, forma como se vêm a si próprias e como vêm os outros.

IDENTIDADE ÉTNICA – Podemos dizer que cada grupo que identifica uma consciência colectiva, é considerado um grupo étnico, tem a sua própria história os seus próprios mitos, que estão relacionados com o percurso da sua História ao longo dos tempos. É também uma Identidade Cultural, pois os seus grupos constroem-na simbolicamente ao longo dos anos.

“a minha etnicidade é…”: herança cultural e passado histórico

As questões que se prendem com a etnicidade, marcam o quotidiano e impõem-se politicamente. Algumas etnicidade étnicas para alem de se mostrarem diferentes, essa diferença fundamenta uma característica política

 

 

NACIONALISMO: é um fenómeno que se caracteriza pela partilha de determinados dogmas relativos à nação e ao estado, pela prática de rituais e pelo funcionamento de instituições que garantem a sua sobrevivência

 

 A RELAÇÃO ENTRE ETNICIDADE E O NACIONALISMO é complexa e podemos considerar cada uma delas da seguinte forma:

 - O Nacionalismo, tal como a ideologia étnica também acentua a semelhança e a diferença cultural dos seus membros face a outros – Aquilo que distingue o nacionalismo é a sua relação com o estado .

 - O Nacionalismo tem ainda como premissa, que as fronteiras culturais e da nação devem coincidir com as fronteiras políticas.

 - Enquanto o grupo étnico se reconhece como tal, e não tem que ter implícita na sua definição como tal, uma relação com o estado.

 

  - Identidade Nacional – Está inteiramente ligada ao Nacionalismo, pois quando valorizamos muito a nossa identidade nacional, tornamo-nos Nacionalistas. Quando nós valorizamos muito a nossa identidade nacional, nós somos nacionalistas, pois pensamos com sentimento e ideologia.

  -O Nacionalismo, pode ser por SENTIMENTO

                                                          IDEOLOGIA  -  PRÍNCIPIO POLÍTICO

 

 - O Nacionalismo COMO SENTIMENTO -  Ex, Quando eu digo que sou Nacionalista, estou a valorizar a cultura Nacional, sem que isso signifique necessariamente ter um sentimento de supremacia em relação ao nacionalismo dos outros.

Simbolos criados para reforço das identidades nacionais: Bandeira, hino naciona, mitos colectivos, Gastronomia Nacional,…

 

 - O Nacionalismo COMO IDEOLOGIA – O Nacionalismo como ideologia, também pode ser um conjunto de ideais muito estruturadas, que defende que cada nação deve ter o seu próprio estado.

- Diz ainda que as Nações enquanto Comunidades culturais étnicas Específicas, com a sua própria cultura, têm direito à sua autodeterminação  - Independência Política. Ex País Basco, divisões ideológicas.

No entanto o nacionalismo não significa “Hot” nacionalismo. Mas, sem dúvida todos nos somos nacionalistas. Exemplo: com o Futebol a nação mobiliza-se

 

Anos 80: emergência do nacionalismo como objecto de estudo da antropologia: porquê? Quais as motivações:

- Devido ao surgimento de movimentosseparatistasno continente europeu (pais basco, Irlanda do norte, Escócia);

- O conflito ético e o seperatismo muito violentos como na índia e a Nigéria.

- Colapso de regimes comunistas no leste europeu e a explosão de nacionalismos;

 

A antropologia interessa-se principalmente por estudar quais os mecanismos que fomentam o nacionalismo, quais os rituais e símbolos da nação, relação entre o nacionalismo e a religia , género, e o nacionalismo banal.

 

Nacionalismo banal: traduz experiencias quotidianas do nacionalismo, ou seja, como é que as pessoas vivem ou exterorizam a sua identidade nacional no dia-a-dia

Antropologia 1.º Cap (pto 1.1)

Publicado: maio 15, 2010 em Antropologia

Antropologia 1.ano, 2.º Semestre_____________________1.º Frequência Intercalar

 

1.     Antropologia e a sua perspectiva

 

1.1. Definição. Breve evolução histórica. Principais especializações. Relação com outras disciplinas:

 

 

v  Definição__________________________________________________________

 

ANTROPO / LOGIA

 

ANTROPOS: Significa Homem

LOGIA (=LOGOS): Significa conhecimento, razão, ciência, lógica

 

Etimologicamente, o termo Antropologia deriva da junção dos vocábulos gregos anthropos (homem) e logia (estudo/tratado), o que significa “o estudo do homem”

 

A Antropologia é o estudo do homem e da humanidade em sua totalidade, abrangendo suas dimensões biológicas, sociais e culturais; incluindo sua origem, seus agrupamentos e relações sociais, comportamento, desenvolvimento social, cultural e físico, suas relações com o meio natural, variações biológicas e sua produção cultural. Ou seja, a antropologia procura estudar a humanidade em todos os seus aspectos.

A Antropologia também estuda os aspectos quer são comuns e as diferenças (a forma como nos alimentamos) a todos os homens a Cultura .

Tem uma perspectiva ou abordagem comparativa, sem envolver juízos de valor.

Aceita o discurso do “relativismo cultural”, abstém-se de catalogar – o exemplo de haver sociedades mais ou menos desenvolvidas que outras.

Inicialmente, os Antropólogos estudavam as sociedades primitivas com características etnocêntricas e eurocêntricas, ou seja, era uma visão preconceituosa. A sua investigação estava carregada de valores morais – faziam-se juízos de valor.

A Antropologia surgiu com um olhar especial sobre as outras culturas, igualmente apelidadas de sociedades exóticas ou primitivas (sociedades que o exploradores na época dos descobrimentos encontraram em África, América, e Ásia).

 

A Antropologia é o estudo do “outro”, isto significa vermo-nos ao espelho (metáfora antropológica), olhamos assim a diferença, e vermos como nós igualmente somos diferentes. Tradicionalmente a Antropologia estuda culturas diferentes daquelas da origem do investigador.

 

A Antropologia, é uma ciência recente tendo forma só a partir de 1850, mas de forma indefinida e limitada, afirmando-se apenas no século XX, depois da I Guerra Mundial, onde as ideais e os métodos da Antropologia se tornam claros.

 

 

___________________Os dois ramos da Antropologia

A Antropologia divide-se em dois grandes ramos (forma geral):

 

- Antropologia Física ou Biologia

- Antropologia Social / Cultural

(actualmente falamos em Antropologia Biológica ou Antropologia Cultural)

 

Antropologia Física ou Biológica

Antropologia muito desenvolvida nos E.U.A. A designação preferencial da escola americana é Física, da escola britânica é Biológica.

Está concentrada para questões do ponto de vista biológico, o estudo do homem no ponto de vista biológico – da evolução do homem.

Exemplos: Primatologia – estudo dos primatas superiores, Paleontropologia, Antropologia do Esqueleto, A Antropologia Forense é outro exemplo deste tipo de antropologia, pois trata o homem na sua evolução e na sua genética.

 

Antropologia Social / Cultural

É a maior subdisciplina da Antropologia, estudando o homem como ser cultural, tem interesse particular com o comportamento e com a nossa acção cultural (exclusiva do homem). Estudam-se objectos diversificados, interesses como identidades étnicas (comunidade guineense ou cabo verdeana em Lisboa), cultura de género (as mulheres chinesas ou indianas) e as Identidades nacionais.

Neste ramo estuda-se o “outro”, isto é, a cultura do “outro”. Olhar para o “outro” é olharmos para nós próprios, e é através deste olhar que se estabelecem as diferenças.

___________________

 

________________Dois pilares da Antropologia cultural

Como bases de apoio para sustentar a sua produção científica,

 

- Etnografia (ou método etnográfico)

- Teoria

 

                  Etnografia (ou método etnográfico):

 

Etno / grafia

 

Povos  - Cultura                                   Escrita (recolha de dados) – Descrição

 

Trabalho de campo

 

A etnografia foi o que definiu a prática da Antropologia.

Implica a recolha de dados no terreno – observação directa – que implica a prática do trabalho de campo; Necessita recolher dados que lhe permita escrever a cultura ou povo que pretende estudar, ou seja, dependendo sempre de dados etnográficos.

Encara o trabalho de campo como uma obrigação, considerado o maior contributo da Antropologia para as ciências sociais.

No trabalho de Campo, há deslocação física do antropólogo para junto do grupo que está a estudar ou para os contextos da cultura em que está a estudar.

 

Técnicas para a recolha de dados no trabalho de campo:

1-      Observação participante

2-      Observação directa

3-      Entrevista qualitativa

 

1-      Observação participante: técnica de pesquisa em que o investigador faz parte do grupo em estudo, isto é observar e participar nas actividades quotidianas de um grupo. Este tipo de observação vai influenciar as conclusões finais, pois o antropólogo tem que ser crítico em relação aos resultados.

2-      Observação directa: Observa, toma suas notas, podendo ser chamado também a participar em algumas actividades. Dá uma visão de dentro a partir da própria cultura.

3-      Entrevista qualitativa: Aprende-se muito com a conversa em contexto com aquela família, grupo, pois possibilita um conjunto de informações variadas, e do próprio crescimento de nos próprios, pois estamos longe de nosso contexto familiar.

 

                   Teoria:

Utiliza-se a teoria Antropologica para interpretar os dados de terreno. É das teorias que se pode retirar o corpo teórico., pois precisamos da teoria para realizar os dados empíricos.

Por meio de recolha de dados, inquéritos por questionário, tratamento de dados, é necessário também interpretar, conceptualizar os dados do terreno.

Não se faz um trabalho antropológico sem investigação, tomas de notas, para contextualizar os dados.

­____________________Objectivos da antropologia

 

  1. Abordagem Holísta - abordagem global. Fazer o estudo através da recolha e do registo de dados primários, fazer o estudo das comunidades, grupos e da sua cultura, recorrendo ao método etnográfico. Procura-se perceber tudo o que pode influenciar a vida do grupo.

Considera que o ser humano está integrado por quatro componentes básicos: físico, mental, emocional e espiritual, sendo que os quatro devem estar perfeitamente equilibrados para poder desenvolver uma vida sadia e feliz. Assim, este estudo aprofundado das partes pode fornecer excelentes resultados para o progresso humano.

Exemplo: A economia. Ver como é que a economia influencia a política, a vida religiosa, se são favorecidos os que tem a vida mais facilitada ou não, etc…

 

  1. Perspectiva comparativa: Compara a cultura que estamos a estudar com outras, dependendo da teoria (método).

 

  1. Estamos interessados em perceber a mudança cultural – Saber o que motiva, o que influencia, qual é o efeito que tem sobre as estruturas – quando se constrói um centro comercial ver qual é o efeito que tem sobre o povo, etc.

 

  1. Antropolologia Aplicada – Fazer diferença na vida das pessoas. Poder fazer a diferença resolvendo os problemas das pessoas, por gosto pessoal (tal como em quase todas as ciências), recolher dados para fazer a nossa carreira e com o nosso investimento resolver as questões práticas

 

Os antropólogos utilizam o seu método para se colocarem em organização – psicología aplicada para procurar soluções e ajudar.

 

 

v  Breve evolução histórica_____________________________________________

 

Antiguidade clássica,  há algumas referências antropológicas, pois os pensadores clássicos escreveram sobre diferenças sociais. Tem de facto raízes muito distantes, registos muito antigos sobre o que é o homem, como é que ele se distingue.

Como é exemplo de Heródoto, Platão e Aristóteles.

        - Heródoto (484-425 a.C.) -faz uma espécie de pré antropologia, pois elaborou um relatório de viagens, técnica típica de qualquer antropólogo, chamada antropologia espontânea. Ele escreveu tudo aquilo que via – interessava-se pela forma de sobrevivência, pela família e pelo casamento, pelas formas económicas, formas culturais, etc. Tinha também uma forte curiosidade pela diferença cultural.
        - Platão, na “Alegoria da Caverna” faz uma referência Antropológica.

        - Aristóteles, através das diferentes estratégias da racionalidade humana, da individualidade do homem como ser racional. Aristóteles pergunta-se “O que é o homem?”, ou seja há uma preocupação para pensar porque é que o homem é dotado de razão, verifica-se um olhar atento ao homem em si mesmo.


A reflexão clássica é uma reflexão importante que é interrompida com o processo de cristianização do Império Romano até ao século 15, como foco para a Idade Média. 

 

 

Séc  XIV e XVA idade média é um período de vazio total, idade das trevas. Altura do Catolicismo, cristianismo medieval. Pensar no homem é comprometido pela igreja Católica. O discurso religioso vai ser dominante e vai esclarecer tudo, tudo é criação divina o que rodeia o homem. Uma ciência que estude o homem era muito difícil faze-lo nessa altura.

 

Exemplo:

- Séc XIV, em 1254, Marco Pólo, fez uma viagem durante 17 anos, passando maior parte do tempo na Ásia, mais precisamente na China. Trouxe para a Europa outras crenças que não a católica, ou seja, outra maneira de vida que foram relatadas por ele próprio – Rustichello. Ele viu diferenças a nível de comportamento social, casamento, famílias, etc. Este relato veio a ser conhecido como as maravilhas do Mundo (como referencia Histórica). Ele não tinha o método para observar nem registar, mas guardou na sua memória e depois produziu os acontecimentos. Funciona como lembrete para as diferenças sociais: mostra que os limites do comportamento humano e social estão muito além, pois há outras culturas, outros povos. Mas, devido à influência da igreja, o acesso das pessoas a esse livro era muito raro. Só o clero (nem todo) tinha acesso aos manuscritos, de modo que esse conhecimento era trancado.


- Séc XV – Ibn Kaldhum (1332-1406) – Nasceu na Tunísia, era historiador muçulmano e viveu sobretudo para fazer viagens. Na sua viagem pelo Norte de Africa, resolveu escrever a história dos bárbaros – história dos grupos que encontrou. Foi sempre escrevendo um diário, relatando tudo aquilo que vivera e via, sobretudo a especificidade do social, ou seja, havia grupos, características sociais, o que tinha a ver com as pessoas ou com as coisas materiais. É uma referência importante para as ciências porque essa história reflectia sobre os comportamentos sociais, com culturas muito diferentes das do império Romano.

 

O começo do fim da supremacia católica vem com os descobrimentos e com as descobertas das novas culturas; os europeus chegaram a outros espaços, conhecem novas civilizações.

 

“A antropologia se desenvolve paralelamente com as descobertas”, devido ao esforço de viajantes, missionários nos descobrimentos.

Eles relatavam o que viam num diário de bordo para depois poder reproduzir ao rei.

Exemplo: Crónicas de Pedro Vaz de Caminha.

 

Os antecedentes da Antropologia não são fáceis de entender.
Não se pode falar de Antropologia se não falarmos de pelo menos três séculos:

(Antiguidade Clássica),

Século XVIII,

Século XIX

e Século XX

 


Século XVIII – torna-se um periodo muito importante. Foram tomados os primórdios antropológicos devido às descobertas, começo do Iluminismo (Liberdade, Igualdade e fraternidade). O iluminismo é por excelência o caminho para a universalidade. É o século em que tudo está ao serviço do homem. Há a crença na unidade psíquica da humanidade (todos os homens são iguais em termos psíquicos).

A crença na capacidade racional do homem aumenta que possibilita o afastamento da justificação do tipo metafísico e vai levar ao conhecimento científico.

(ainda não se fala em antropologia)

 

   Rosseau

Transmite a teoria o bom selvagem que vai contra as ideia dos outros iluministas. Encara o progresso não como algo positivo mas como desgenerativo. As pessoas relacionam-se através de contratos, que não fazem parte da natureza. O ideal era voltar ao tempo do Bom Selvagem.

 

Século XIX – Em pleno iluminismo, encontramos as raízes do pensamento Antropológico. A Antropologia não é ainda uma ciência porque lhe falta ainda sistematizar o seu método.

1.ª Metade do século XIX até 1850, multiplicam-se as sociedades etnológicas.

Em 1850, começa-se a ouvir falar de Antropologia e começam-se a surgir as 1.ªs publicações visando o conhecimento. As primeiras revistas da antropologia começam a ser publicadas, o estudo do homem começa a ser feito com seriedade e encara-se a possibilidade de o fazer sem recurso ao científico Natural.

Evolucionismo (final do século 19) – grande escola da antropologia. Com o objectivo de tentar perceber a evolução da humanidade.

 

Exemplo, na 2.ª metade do Séc XIX – Os homens dependiam muito dos missionários da Europa.

 

Os primeiros antropólogos, antes de terem a ambição de irem para o “campo” (fazer etnografia), faziam antropologia de gabinete ou de varanda o que origina enviesamento de conclusões pois baseavam-se nas recolhas dos missionários que cometiam algumas incoerências.

 

Antropologia de Gabinete: escrita antropológica baseada nos relatos de quem esteve nas populações. Método fundado por Malinowski.

 

Arl Cherotropology – Antropologia do gabinete (vitoriana).

A antropologia de gabinete era feita à distância, escreviam sobre as sociedades africanas, americanos, sem nunca terem feito a travessia do Atlântico. Porque, quando saía uma nau, Os missionários tinham que ter competência de escrita, vão preparadas para observar e descrever, para depois entregarem aos antropólogos de gabinete. Então escreviam, essas pessoas não se vestem, homens e mulheres andam sem roupa, não têm estruturas semelhantes à dos cristãos, não há o principio de Monogamia.

 

Os limites foram alargados a nível geográfico, físico e ideológico. Ao contrário do que pensava, os antípodas existiam, isto é, existiam pessoas nas zonas tropicais.

Estas pessoas eram, porem, diferentes do que se conhecia.

 

À maneira aristotélica, os europeus perguntaram-se o que são humanos. A primeira reacção foi eurocêntrica e etnocêntrica – A Europa como centro no mundo – Se são como os Europeus? A resposta foi que sim, mas não como os europeus. São restício longínquo da humanidade, são homens primitivos, sociedades arcaicas.

 


No século XX -após a I Guerra mundial (1022), a Antropologia é chamada como método cientifico, pois define o seu método, objecto, e estudo como qualquer outra ciência. Sistematiza o seu método.

A Antropologia é uma ciência europeia, são os britânicos e os franceses que a dominam, só mais tarde os EUA sendo a sua presença também importante na antropologia.

Só a partir do Sec XX, se chama Antropologia Cientifica ou Antropologia Moderna.

 

 

v  Principais especializações___________________________________________

 

 

_____________________Antropologia Aplicada:

Mais do que uma disciplina, é uma vocação. Cabe ao antropólogo apresentar soluções, ou seja, o estudo suscita a resolução de problemas. Toda a Antropologia é aplicada desde que seja para resolver problemas de ordem prática, para serem seleccionadas.

São também especializações, áreas cuja produção de conhecimento mais facilmente se aplicam na prática.

 

A Psicologia aplicada, insere-se em diversos grupos:

 

-          Antropologia do Desenvolvimento

-          Antropologia Educacional

-          Antropologia Médica

 

ü  Antropologia do desenvolvimento:

Existiam vários estados que precisavam ser apoiados depois da 2.ª Guerra Mundial. Na sequência da 2.ª Guerra Mundial, houve pressão para que se descolonizasse, houve consciência de que – anos 50 e 60 – houvesse a saída das colónias, e que se tornou um problema global. Chegaram á conclusão que os países com mais dinheiro deveriam de apoiar os outros países das colónias, através de apoios.

 

A Antropologia entra aqui, ao fazer o reconhecimento das necessidades sociais e culturais para depois poder agir, apoiar. Há muito antropólogos que são funcionários das organizações não governamentais do desenvolvimento – fazem o reconhecimento prévio das necessidades e apoiam os projectos técnicos no terreno, para existir um equilíbrio e haver uma expectativa dos países doadores.

 

Os países doadores estão interessados ao nível de sectores como: melhorar a saúde pública. Assim fazem grandes programas, para interferirem, promovem escola, centros médios – promovem sectores que garante os direitos humanos.

O antropólogo vai tentar perceber as expectativas, adquire conhecimento, consulta, Porque as pessoas do técnico profissional têm de estar preparadas para o que vão encontrar, para o que vão instalar.

 

 

ü  Antropologia Educacional

É possível dar apoio prático. Trabalham como consultores e treinam o pessoal docente a fim de estes poderem compreender as matérias – devido ao interesse das matérias que têm para os alunos.

Exemplo: Na América, dar Historia dos E.U.A, para os hispânicos que para eles não tem interesse nenhum.

 

ü  Antropologia Médica

Está mais desenvolvida nos E.U.A (tem mais recursos)

É a área de especialização em questões de doença, nutrição, dieta e ligação que a ciência pode ter com a interacção com o social. Tentar perceber o tipo de patologia, quais são as práticas culturais. Esta pode ser uma área dos Antropólogos (em conjunto com os da área da saúde), pois o Antropólogo faz a investigação das causas que possam afectar a dieta.

Ex:

- Cancro do cólon Rectal ou cancro do estômago – teve grande aumento – poderá ter que ver com a alimentação.

 - Possibilidade de consumir mais posses. Essa questão pode ser estudada, tem de ter um output, fazer campanhas de educação para crianças, formação, efectuado pelos próprios técnicos

 

 

Dentro da Antropologia Geral (cultural), Há muitos nichos de interesse  que deram origem a várias sub-disciplinas (especializações).

 

Para isso é necessário:

 - Corpo teórico mais ou menos autónomo, específicos na sua área;

 - Capacidade para formar pessoas;

 

 

_______       _Sub-disciplinas/ Especializações da Antropologia:

 

A Antropologia está bastante especializada por muito que se diga que é apenas o estudo cultural. Isto acontece após 1940 com:

 

 

Antropologia Politica: estuda o poder e a forma como ele é exercido. O poder é cultural, o antropólogo interessa-se apenas por questões de eleição que diferiam culturalmente.


Antropologia Económica: práticas de produção, distribuição e consumo a nível cultural, ou seja, quer-se perceber como a cultura influencia os mercados.

 

Sub-disciplinas mais recentes:

A partir dos anos 70 e 80

 

 

- Antropologia Urbana:

Origem na escola de Chicago – 1930. Nesta altura ainda a a Antropologia estava distante. Começa a realmente tornar-se tema Antropológico quando as cidades tem os “pólos”. Estuda as culturas especificamente urbanas, existentes só em cidades. Estuda a diferença, a identidade, a semelhança e as áreas em expansão. Tem interesse em contextos urbanos, fenómenos migratórios, produção de músicos associados à humanidade, questões com populações urbanas, como se gere o tempo urbano, etc…

 

- Antropologia do Género:

Construção cultural do género feminidade e masculinidade, o que significa ser mulher e homem na sociedade nesta época, ser mulher aqui e ser mulher noutro pais –cultural.

Exemplo 1: apedrejamento para os ocidentais. Não é perturbador para estes países mas para muitos outros é!

Exemplo 2: Na ida à igreja, os homens alentejanos não costumam ir, e quando há casamentos costumam ficar na rua, no banco do jardim, ao contrário dos homens da Beira Interior que costumam r à igreja e são sempre os que estão sentados em 1.º lugar na igreja.

 

- Antropologia da Saúde:

Relação médico paciente. O olhar sobre a dor, sobre a doença, a relação entre as medicinas convencionais e alternativas. Cultura das unidades de saúde.

 

 

v  Relação com as outras disciplinas_____________________________________

 

 Sociologia: Antropologia e Sociologia são muito próximas, por serem contemporâneas – com a sua irmã quase gémea. No séc XIX, com a necessidade de reorganização social após revoluções politicas e industrial, origina o nascimento da sociologia. Pouco depois, nasce a etnologia (antropologia) com interesse pelo exotismo dos povos primitivos.

Também estão no mesmo âmbito – a realidade social: ambos caminham a par. No entanto, o objecto de estudo e os métodos de investigação são diferentes.

A sociologia estuda o homem na sociedade: prefere sociedades complexas, heterogéneas, de grande profundidade histórica, ditas civilizadas, industrializadas, com escrita, modernas.

 A Antropologia estuda o homem como dimensão cultural: prefere as sociedades homogéneas de pequena escala, ditas primitivas, tradicionais, sem escrita e sem história.

 

Exemplo: Não há nenhum sociólogo que não se reveja na teoria de Durkheim, e não há nenhum sociólogo que não se reveja em teorias da Antropologia.

 

História: Sem a História a Antropologia não tinha conhecimento sobre o exotismo, sobre o iluminismo.

 A história trata de acontecimentos passados com provas materiais escritas, trabalham sobre a cronologia, evolução, a individualidade e o fenómeno politico.  

O antropólogo recolhe directamente, por meio de trabalho de campo, observação directa e participante e inquéritos orais e, não se interessa muito pelo passado mas sim pelo presente.

Antropologia 1.º Cap (pto 1.2)

Publicado: maio 15, 2010 em Antropologia

1.2. Conceito de cultura. A diversidade cultural. Universalidade e especificidade. Cultura e civilização. O conceito de comunidade. Da comunidade localizada às localidades imaginadas e transaccionais.

 

v  Conceito de cultura________________________________________________

 

__________________________Cultura

São práticas e acções sociais que seguem um padrão determinado no espaço.

A cultura representa Modos de vida, isto é, diferentes formas de vida com tudo o que isso implica, valores, costumes, tradições, expressão da identidade, forma como nos comportamos, que para uns fazem sentido e para outros não, crenças, instituições, regras morais que permeiam e identificam a sociedade.

 

Sex XX em 1922  , a Antropologia torna-se uma ciência científica autónoma com uma forma mais especificada para o método. Se consegue reportar para uma linha metodológica como sendo a ciência da cultura.

 

Fala-se em cultura e não em culturas, isto é, devemos pensar em cultura no singular, universal, isto é pensar na sua universalidade e particularidade.

 

Cultura

                             Universalidade                especificidade e diversidade

                                          

Estudo de comportamentos e todas as ideias a eles associados:

É necessário o estudo das identidades: Étnica, Política, Transnacional e Local.

Para isso, estudamos: As universais culturais e a diversidade cultural

Cada povo tem a sua especificidade cultural. Através da cultura pensamos na semelhança e na diferença uns dos outros, das identidades culturais.

 

Estudo da cultura, através dos olhares culturais dentro da sua diversidade”

“Tem de ser visto na sua diversidade, em termos de Universal cultural”

 

v As universais culturais______________________________________________

 

As universais culturais – que são modos de pensamento, acção e comportamento comuns a todos os homens em qualquer parte do mundo – a linguagem, práticas contemporâneas de comportamento (Bom dia ou Boa Tarde); Estuda todos os comportamentos que encontramos em todas as sociedades e que nos caracteriza como seres humanos. Os nossos comportamentos (que aprendemos com os pais, e que depois também transmitimos a nossos filhos).

Isto implica o estudo de:

 

v A diversidade  culturais____________________________________________


A diversidade cultural

Estuda as especificidades das universais culturais. É enorme a diversidade e é onde se centra a antropologia, ou seja, o olhar o outro, o olhar do diferente.

A diversidade cultural engloba as diferenças culturais que existem entre as pessoas, como a linguagem, danças, vestuário e tradições, bem como a forma como as sociedades organizam-se conforme a moral e religião, a forma como eles interagem com o ambiente, variedade e convivência de ideias, características ou elementos diferentes entre si, em determinado assunto, situação ou ambiente.

É necessário concentrar-se numa característica especificamente humana.

(p/exemplo: Em Portugal são 2 beijos, em França 3, diferente na Suécia).

A religião também faz parte do homem, pois se relaciona com o abstracto, pois é necessário conforto psicológico. Há uma variedade extraordinária.

 

 

__________________Características da Cultura

 

  1. É aprendida
  2. É partilhada
  3. É omnipresente
  4. Está integrada
  5. É participada

 

ü  É Aprendida: não é biologicamente herdada, nem programada. Os comportamentos, valores, normas, são o conjunto de aprendizagem durante toda a nossa vida – exemplo: Aprendemos com os indivíduos que interagimos e com os meios de comunicação. Em 1.º lugar, iniciamos a aprendizagem com a imitação dos adultos. Temos uma educação formal dos nossos pais – mecanismos normais de ensino. Numa fase seguinte, a escola, institutos de ensino. Além de funcionar em contexto de conteúdos específicos, também nos prepara para a vida em contexto social e nos orienta para um determinado sentido – escolhem escolas religiosas ou então escolas que não tenha a religião agregada ao ensino.

Aprendemos uma cultura, porque fomos inculturados de uma determinada cultura e por isso quando saímos de nossa cultua (estrangeiro) notamos comportamentos diferentes dos outros. Esta característica tem a ver com o facto usarmos símbolos ideologicamente para variadas situações. – Exemplo: diferenciar em termos simbólicos termos ou BMW ou um Fiat.

 

ü  É Partilhada: A cultura é colectiva, do grupo, conjunto de normas e comportamentos de grupos – não é o comportamento do individuo em si– é o conjunto de normas e comportamentos do individuo dentro daquele grupo. Transmite-se dentro do grupo por gerações e enquanto elemento de partilha altera-se – Exemplo: A década de 90 é bastante diferente da década de 60.

 

ü  É Omnipresente: está em tudo aquilo que fazemos, qualquer prática que nos defina onde estamos, e afecta todo o nosso comportamento. Aquilo que temos como «certo pode não ser o certo para o outro. Portanto tudo na nossa vida está afectada pela forma em como fomos educados e inculturados – As pessoas acabam por se evidenciar em conjunto. Exemplo: Há pessoas que gostam de se vestir de forma diferente. Pessoa com uma tuna vestida em Portugal, essa pessoa não passa por indiferente.

 

ü  Está Integrada: Faz sentido sobre todos os pontos de vista, As práticas culturais estão integradas, isto é, fazem efectivamente sentido, não são aleatórias. Há elementos de valorização de uns, e desvalorização de outros. Exemplo: Vaca na Índia, é mais importante como elemento culto e de apoio e por isso a vaca é sagrada e não se toca. Exemplo 2: Vestuário branco cumprido no deserto, embora esteja muito calor, tem razão de ser) para proteger o corpo dos raios solares.

 

ü  É Participada: As pessoas envolvem-se, têm acção na construção da cultura, também a modificam. A cultura não é um conjunto de elementos inertes. Há determinadas práticas que variam e alteram-se. Exemplo: Forma dos filhos cumprimentarem os pais é bastante diferente das dos filhos cumprimentarem-se actualmente. Antigamente,  os filhos pediam a bênção aos pais, e tratavam-nos por “vossemecê” e hoje em dia, é habitual tratar por tu.

 

v Cultura e civilização ________________________________________________

 

Civilização

Exemplo:

Uma mesa cheia de feijões.

O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão. Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas.
O primeiro gesto, o de reunir todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO. O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA.
A civilização é um fenómeno colectivo. A cultura é um fenómeno individual.
Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura.

 

O homem é moldado pelo costume, isto é, A organização social, a linguagem, a religião Uma criança alemã que nasça nesse país mas que desde tenra idade (por exemplo três meses) esteja em Portugal os seus pais adoptivos não terão de ir aprender alemão para a poderem compreender, a criança nasce, e é criada ouvindo a língua portuguesas e aprende-la- à naturalmente e comportar-se-à tal como as outras crianças nascidas em Portugal e cá criadas.

 

 

v O conceito de comunidade __________________________________________

 

__________________________Comunidade

O antropólogo fez o estudo da cultura através do conceito de comunidade (categoria analítica)

É um grupo de pessoas que convivem pela proximidade geográfica, que têm algo em comum, a partilha da cultura, valores, hábitos e actividades. Ligados por laços de solidariedade.

 A cultura é tipificada, com características locais, leis próprias, regras sociais de conduta e comportamento diferenciadas de outras localidades e identidade visual marcante.

Uma comunidade é um subconjunto da sociedade que a integra.

 

 

v Da comunidade localizada às localidades imaginadas e transaccionais _____

 

Durkheim, falou de comunidade e sociedade, formas de relacionamento a nível de tradição e modernidade, em 1892  - livro Divisão social do trabalho (suicídio), existem 2 formas de relação social  1 mais tradicional – Solidariedade Mecânica, 2 mais contemporânea – Solidariedade Orgânica

O conceito de comunidade já teve alguma evolução.

Mas actualmente o conceito de comunidade está bem diferente, deixou há muito a configuração mais clássica. Hoje em dia em termos de Antropologia a comunidade se tem vindo a transformar bastante.

 

 

_________________Dimensões do conceito de Comunidade

  1. Comunidade Clássica
  2. Comunidades Símbólicas 1985
  3. Comunidades Imaginárias 1983 (Cient. Politico Benedit Anderson)

 

____________________Comunidade e Sociedade (visão clássica)

 

 

Comunidade

Sociedade

Dimensão

Reduzida

(alguns milhares)

Alargado

Valores

Comuns

Mais heterogéneo

Actividades

Especialização Reduzida

(ocupam-se todos +/- nas mesmas tarefas)

Especialização formal

Interacção (relacionamento entre si e c/ que frequência o fazem)

Frequente

Esporádica

Natureza da relação

(laços que ligam as pessoas)

Laços afectivos

(há proximidade entre eles)

Competitividade

Distância ao poder

Distante

Mais próximo

 

É o conceito clássico de comunidade.

 

O conceito de comunidade e o estudo das comunidades torna-se em meados do século XX: meados do sec a antropologia concentrou-se em terrenos próximos e não perde a sua vocação para tratar de pequenos grupos – Tradição – dos grupos primitivos. Os povos que estão disponíveis para estudar são comunidades rurais, que contem características clássicas.

 

 

Antropólogo Robert Redfield,(1952) – escreve um livro = the little community (Funciona como manual de boas práticas, um guia das comunidades)

É o Representante da Abordagem clássica de comunidade e fez estudos de pequenas comunidades – principalmente rurais

“pequena comunidade” > Grupo > Comunidade > Localidade > Cultura

O antropólogo procura pequenas comunidades que possam ser estudadas, mesmo dentro das sociedades.

Exemplo: Aldeia de Monsanto (na altura do antigo regime) era o modelo, tinha valores puros, tradição, a maioria das pessoas eram alfabetas, desqualificadas que fez com que muitos investigadores viessem para cá.

 

Estes estudos da antropologia tiverem o seu tempo, observando o seu modo de vida como que desgastada, marcou os meados do sec XX, (anos 60 e 70). Daí a busca de novos interesses, surgindo assim a comunidade urbana. Mas, esta naoi se encaixa na “pequena comunidade” e que para pertencer a uma comunidade não é necessário pertencer à mesma.

 

A partir da década de 80 surge um novo conceito de comunidade:

 

2.        Comunidades Símbólicas (1985):  pelo Antropólogo Anthony Cohen

 

Escreveu um livro “The Symbolic Construction of Community – As comunidades são construções simbólicas. O mais importante não é o número de pessoas, mas é a forma como as pessoas se vêm na sociedade e a forma como as outras a vêm. Na comunidade convergem a cultura, o lugar, as relações sociais e a identidade colectiva. Hoje em dia a comunidade depende muito da construção simbólica, ou seja a partir do momento em que nos sentimos da comunidade e as outras pessoas nos vêem como tal. Se nascem, crescem dentro da comunidade, são membros dessa comunidade, mas no entanto, há outros que podem não nascer nessa comunidade, mas têm valores diferentes, pois utilizam estratégias para se mostrarem membros. Estas estratégias simbólicas, permitem que as pessoas usem símbolos comuns, comunicar e se compreenderem – pensamento cultivado. Portanto, os símbolos fazem a cultura possível e real pois constroem simbolicamente uma ideia que querem manter.

Exemplo1 : Emigrantes – estratégia de pertença simbólica

Exemplo2 : Actos públicos de fé nas procissões

Exemplo3: Actividade piscatória (embora tenham culturas diferentes eles que reúnem e se juntam e são aceites noutra comunidade)

 

3.        Comunidades Imaginárias 1983: Cientista Politico Benedit Anderson

A nação é uma comunidade imaginada, que depende da capacidade de imaginação. Daí a noção de comunidades imaginadas . Anderson quer examinar como o nacionalismo (Diáspora – Se sentem membros e passam sua cultura aos membros seguintes, ás gerações seguintes.) capta e expressa anseios, esperanças e preconceitos nascidos no calor da vida social que passam à gerações seguintes. Pela 1.ª vez a construção da comunidade larga um dos aspectos principais – o território/ a localidade. Apesar de não se conhecerem pessoalmente, todas as pessoas interagem e se sentem membros dessa comunidade.

Anderson diz “A nação é uma comunidade imaginária porque mesmo que seus membros não se conheçam e nunca se encontrem, na sua imaginação eles pensam como sendo. Gera relações de solidariedade.

Exemplo: Comunidade Judaica, dispersa pelo mundo mas nunca deixou de pensar-se como um grupo; Embora vivessem distantes, em Portugal em Espanha… conseguiram manter viva a ideia que eram uma nação.

 

3 – Comunidade Transnacional: Tipo de comunidade actual

 

Livro – A fornteira e a identidade: Hoje, A partir do momento em que o movimento das pessoas se sobrepõem ao seu modo de vida tradicional, com entrada e saídas e reentradas (migração) As aldeia raianas – rurais – são cada vez mais comunidades cuja construção é simbólica e imaginária. A identidade local é construída através da memória, da história e da ligação virtual, mais do que ser um processo clássico de residência e do alimentar diário constante das relações directas entre os pares. Utilizam a sua capacidade de imaginação e estratégias simbólicas, que embora continuem a ter consciência da sua identidade local, também continuam a se sentirem nessa (outra) comunidade, adaptando-se a normas diferentes e padrões de actuação diferentes daquelas que são os seus. Por um lado remetem as suas origens para locais que já não são os do seu dia-a-dia,  e por outro lado, faz sobressair as suas características próprias tentando projectar a sua cultura.