Antropologia 1.º Cap (pto 1.1 Continuação)

Publicado: maio 15, 2010 em Antropologia

v  Breve evolução histórica_____________________________________________

 

Antiguidade clássica,  há algumas referências antropológicas, pois os pensadores clássicos escreveram sobre diferenças sociais. Tem de facto raízes muito distantes, registos muito antigos sobre o que é o homem, como é que ele se distingue.

Como é exemplo de Heródoto, Platão e Aristóteles.

        Heródoto (484-425 a.C.) -faz uma espécie de pré antropologia, pois elaborou um relatório de viagens, técnica típica de qualquer antropólogo, chamada antropologia espontânea. Ele escreveu tudo aquilo que via – interessava-se pela forma de sobrevivência, pela família e pelo casamento, pelas formas económicas, formas culturais, etc. Tinha também uma forte curiosidade pela diferença cultural.
        Platão, na “Alegoria da Caverna” faz uma referência Antropológica.

        Aristóteles, através das diferentes estratégias da racionalidade humana, da individualidade do homem como ser racional. Aristóteles pergunta-se “O que é o homem?”, ou seja há uma preocupação para pensar porque é que o homem é dotado de razão, verifica-se um olhar atento ao homem em si mesmo.


A reflexão clássica é uma reflexão importante que é interrompida com o processo de cristianização do Império Romano até ao século 15, como foco para a Idade Média. 

 

 

Séc  XIV e XVA idade média é um período de vazio total, idade das trevas. Altura do Catolicismo, cristianismo medieval. Pensar no homem é comprometido pela igreja Católica. O discurso religioso vai ser dominante e vai esclarecer tudo, tudo é criação divina o que rodeia o homem. Uma ciência que estude o homem era muito difícil faze-lo nessa altura.

 

Exemplo:

– Séc XIV, em 1254, Marco Pólo, fez uma viagem durante 17 anos, passando maior parte do tempo na Ásia, mais precisamente na China. Trouxe para a Europa outras crenças que não a católica, ou seja, outra maneira de vida que foram relatadas por ele próprio – Rustichello. Ele viu diferenças a nível de comportamento social, casamento, famílias, etc. Este relato veio a ser conhecido como as maravilhas do Mundo (como referencia Histórica). Ele não tinha o método para observar nem registar, mas guardou na sua memória e depois produziu os acontecimentos. Funciona como lembrete para as diferenças sociais: mostra que os limites do comportamento humano e social estão muito além, pois há outras culturas, outros povos. Mas, devido à influência da igreja, o acesso das pessoas a esse livro era muito raro. Só o clero (nem todo) tinha acesso aos manuscritos, de modo que esse conhecimento era trancado.


– Séc XV – Ibn Kaldhum (1332-1406) – Nasceu na Tunísia, era historiador muçulmano e viveu sobretudo para fazer viagens. Na sua viagem pelo Norte de Africa, resolveu escrever a história dos bárbaros – história dos grupos que encontrou. Foi sempre escrevendo um diário, relatando tudo aquilo que vivera e via, sobretudo a especificidade do social, ou seja, havia grupos, características sociais, o que tinha a ver com as pessoas ou com as coisas materiais. É uma referência importante para as ciências porque essa história reflectia sobre os comportamentos sociais, com culturas muito diferentes das do império Romano.

 

O começo do fim da supremacia católica vem com os descobrimentos e com as descobertas das novas culturas; os europeus chegaram a outros espaços, conhecem novas civilizações.

 

“A antropologia se desenvolve paralelamente com as descobertas”, devido ao esforço de viajantes, missionários nos descobrimentos.

Eles relatavam o que viam num diário de bordo para depois poder reproduzir ao rei.

Exemplo: Crónicas de Pedro Vaz de Caminha.

 

Os antecedentes da Antropologia não são fáceis de entender.
Não se pode falar de Antropologia se não falarmos de pelo menos três séculos:

(Antiguidade Clássica),

Século XVIII,

Século XIX

e Século XX

 


Século XVIII – torna-se um periodo muito importante. Foram tomados os primórdios antropológicos devido às descobertas, começo do Iluminismo (Liberdade, Igualdade e fraternidade). O iluminismo é por excelência o caminho para a universalidade. É o século em que tudo está ao serviço do homem. Há a crença na unidade psíquica da humanidade (todos os homens são iguais em termos psíquicos).

A crença na capacidade racional do homem aumenta que possibilita o afastamento da justificação do tipo metafísico e vai levar ao conhecimento científico.

(ainda não se fala em antropologia)

 

   Rosseau

Transmite a teoria o bom selvagem que vai contra as ideia dos outros iluministas. Encara o progresso não como algo positivo mas como desgenerativo. As pessoas relacionam-se através de contratos, que não fazem parte da natureza. O ideal era voltar ao tempo do Bom Selvagem.

 

Século XIX – Em pleno iluminismo, encontramos as raízes do pensamento Antropológico. A Antropologia não é ainda uma ciência porque lhe falta ainda sistematizar o seu método.

1.ª Metade do século XIX até 1850, multiplicam-se as sociedades etnológicas.

Em 1850, começa-se a ouvir falar de Antropologia e começam-se a surgir as 1.ªs publicações visando o conhecimento. As primeiras revistas da antropologia começam a ser publicadas, o estudo do homem começa a ser feito com seriedade e encara-se a possibilidade de o fazer sem recurso ao científico Natural.

Evolucionismo (final do século 19) – grande escola da antropologia. Com o objectivo de tentar perceber a evolução da humanidade.

 

Exemplo, na 2.ª metade do Séc XIX – Os homens dependiam muito dos missionários da Europa.

 

Os primeiros antropólogos, antes de terem a ambição de irem para o “campo” (fazer etnografia), faziam antropologia de gabinete ou de varanda o que origina enviesamento de conclusões pois baseavam-se nas recolhas dos missionários que cometiam algumas incoerências.

 

Antropologia de Gabinete: escrita antropológica baseada nos relatos de quem esteve nas populações. Método fundado por Malinowski.

 

Arl Cherotropology – Antropologia do gabinete (vitoriana).

A antropologia de gabinete era feita à distância, escreviam sobre as sociedades africanas, americanos, sem nunca terem feito a travessia do Atlântico. Porque, quando saía uma nau, Os missionários tinham que ter competência de escrita, vão preparadas para observar e descrever, para depois entregarem aos antropólogos de gabinete. Então escreviam, essas pessoas não se vestem, homens e mulheres andam sem roupa, não têm estruturas semelhantes à dos cristãos, não há o principio de Monogamia.

 

Os limites foram alargados a nível geográfico, físico e ideológico. Ao contrário do que pensava, os antípodas existiam, isto é, existiam pessoas nas zonas tropicais.

Estas pessoas eram, porem, diferentes do que se conhecia.

 

À maneira aristotélica, os europeus perguntaram-se o que são humanos. A primeira reacção foi eurocêntrica e etnocêntrica – A Europa como centro no mundo – Se são como os Europeus? A resposta foi que sim, mas não como os europeus. São restício longínquo da humanidade, são homens primitivos, sociedades arcaicas.

 


No século XX -após a I Guerra mundial (1022), a Antropologia é chamada como método cientifico, pois define o seu método, objecto, e estudo como qualquer outra ciência. Sistematiza o seu método.

A Antropologia é uma ciência europeia, são os britânicos e os franceses que a dominam, só mais tarde os EUA sendo a sua presença também importante na antropologia.

Só a partir do Sec XX, se chama Antropologia Cientifica ou Antropologia Moderna.

 

 

v  Principais especializações___________________________________________

 

 

_____________________Antropologia Aplicada:

Mais do que uma disciplina, é uma vocação. Cabe ao antropólogo apresentar soluções, ou seja, o estudo suscita a resolução de problemas. Toda a Antropologia é aplicada desde que seja para resolver problemas de ordem prática, para serem seleccionadas.

São também especializações, áreas cuja produção de conhecimento mais facilmente se aplicam na prática.

 

A Psicologia aplicada, insere-se em diversos grupos:

 

          Antropologia do Desenvolvimento

          Antropologia Educacional

          Antropologia Médica

 

ü  Antropologia do desenvolvimento:

Existiam vários estados que precisavam ser apoiados depois da 2.ª Guerra Mundial. Na sequência da 2.ª Guerra Mundial, houve pressão para que se descolonizasse, houve consciência de que – anos 50 e 60 – houvesse a saída das colónias, e que se tornou um problema global. Chegaram á conclusão que os países com mais dinheiro deveriam de apoiar os outros países das colónias, através de apoios.

 

A Antropologia entra aqui, ao fazer o reconhecimento das necessidades sociais e culturais para depois poder agir, apoiar. Há muito antropólogos que são funcionários das organizações não governamentais do desenvolvimento – fazem o reconhecimento prévio das necessidades e apoiam os projectos técnicos no terreno, para existir um equilíbrio e haver uma expectativa dos países doadores.

 

Os países doadores estão interessados ao nível de sectores como: melhorar a saúde pública. Assim fazem grandes programas, para interferirem, promovem escola, centros médios – promovem sectores que garante os direitos humanos.

O antropólogo vai tentar perceber as expectativas, adquire conhecimento, consulta, Porque as pessoas do técnico profissional têm de estar preparadas para o que vão encontrar, para o que vão instalar.

 

 

ü  Antropologia Educacional

É possível dar apoio prático. Trabalham como consultores e treinam o pessoal docente a fim de estes poderem compreender as matérias – devido ao interesse das matérias que têm para os alunos.

Exemplo: Na América, dar Historia dos E.U.A, para os hispânicos que para eles não tem interesse nenhum.

 

ü  Antropologia Médica

Está mais desenvolvida nos E.U.A (tem mais recursos)

É a área de especialização em questões de doença, nutrição, dieta e ligação que a ciência pode ter com a interacção com o social. Tentar perceber o tipo de patologia, quais são as práticas culturais. Esta pode ser uma área dos Antropólogos (em conjunto com os da área da saúde), pois o Antropólogo faz a investigação das causas que possam afectar a dieta.

Ex:

– Cancro do cólon Rectal ou cancro do estômago – teve grande aumento – poderá ter que ver com a alimentação.

 – Possibilidade de consumir mais posses. Essa questão pode ser estudada, tem de ter um output, fazer campanhas de educação para crianças, formação, efectuado pelos próprios técnicos

 

 

Dentro da Antropologia Geral (cultural), Há muitos nichos de interesse  que deram origem a várias sub-disciplinas (especializações).

 

Para isso é necessário:

 – Corpo teórico mais ou menos autónomo, específicos na sua área;

 – Capacidade para formar pessoas;

 

 

_______       _Sub-disciplinas/ Especializações da Antropologia:

 

A Antropologia está bastante especializada por muito que se diga que é apenas o estudo cultural. Isto acontece após 1940 com:

 

 

Antropologia Politica: estuda o poder e a forma como ele é exercido. O poder é cultural, o antropólogo interessa-se apenas por questões de eleição que diferiam culturalmente.


Antropologia Económica: práticas de produção, distribuição e consumo a nível cultural, ou seja, quer-se perceber como a cultura influencia os mercados.

 

Sub-disciplinas mais recentes:

A partir dos anos 70 e 80

 

 

– Antropologia Urbana:

Origem na escola de Chicago – 1930. Nesta altura ainda a a Antropologia estava distante. Começa a realmente tornar-se tema Antropológico quando as cidades tem os “pólos”. Estuda as culturas especificamente urbanas, existentes só em cidades. Estuda a diferença, a identidade, a semelhança e as áreas em expansão. Tem interesse em contextos urbanos, fenómenos migratórios, produção de músicos associados à humanidade, questões com populações urbanas, como se gere o tempo urbano, etc…

 

– Antropologia do Género:

Construção cultural do género feminidade e masculinidade, o que significa ser mulher e homem na sociedade nesta época, ser mulher aqui e ser mulher noutro pais –cultural.

Exemplo 1: apedrejamento para os ocidentais. Não é perturbador para estes países mas para muitos outros é!

Exemplo 2: Na ida à igreja, os homens alentejanos não costumam ir, e quando há casamentos costumam ficar na rua, no banco do jardim, ao contrário dos homens da Beira Interior que costumam r à igreja e são sempre os que estão sentados em 1.º lugar na igreja.

 

– Antropologia da Saúde:

Relação médico paciente. O olhar sobre a dor, sobre a doença, a relação entre as medicinas convencionais e alternativas. Cultura das unidades de saúde.

 

 

v  Relação com as outras disciplinas_____________________________________

 

 Sociologia: Antropologia e Sociologia são muito próximas, por serem contemporâneas – com a sua irmã quase gémea. No séc XIX, com a necessidade de reorganização social após revoluções politicas e industrial, origina o nascimento da sociologia. Pouco depois, nasce a etnologia (antropologia) com interesse pelo exotismo dos povos primitivos.

Também estão no mesmo âmbito – a realidade social: ambos caminham a par. No entanto, o objecto de estudo e os métodos de investigação são diferentes.

A sociologia estuda o homem na sociedade: prefere sociedades complexas, heterogéneas, de grande profundidade histórica, ditas civilizadas, industrializadas, com escrita, modernas.

 A Antropologia estuda o homem como dimensão cultural: prefere as sociedades homogéneas de pequena escala, ditas primitivas, tradicionais, sem escrita e sem história.

 

Exemplo: Não há nenhum sociólogo que não se reveja na teoria de Durkheim, e não há nenhum sociólogo que não se reveja em teorias da Antropologia.

 

História: Sem a História a Antropologia não tinha conhecimento sobre o exotismo, sobre o iluminismo.

 A história trata de acontecimentos passados com provas materiais escritas, trabalham sobre a cronologia, evolução, a individualidade e o fenómeno politico.  

O antropólogo recolhe directamente, por meio de trabalho de campo, observação directa e participante e inquéritos orais e, não se interessa muito pelo passado mas sim pelo presente.

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