Antropologia Cap 2 (pto 2.1)

Publicado: maio 15, 2010 em Antropologia

2. O SENTIDO DA CONDIÇÃO HUMANA

 

2.1. Antropologia e a religião. A construção do sagrado. Religião, magia e bruxaria.

 

v  Antropologia e a Religião____________________________________________

 

Porque tem este nome: “O sentido da condição humana e a concepção do universo”? – Porque traduz muito as interrogações que são especificamente humanas que conduziram os homens a uma concepção de identidade que o transcenderam.

O modo como as pessoas conferem sentido ao mundo em que vivem por meio de estratégias: crenças, mitos, rituais, simbolismos magia e do oculto.

 

O “sentido da condição humana”

É a razão da existência, qual o sentido da vida humana? Porque é nascemos e porque é que morremos e porque é que o homem não tem nenhum controlo sobre isso? Esta incapacidade de incontrolo foi o que fez que o homem criasse / fez existir forças superiores, e que imputam a responsabilidade. A religião acaba por fornecer as respostas para as grandes questões.

 

Concepções do universo?

 Como é que todos os seres existem e qual foi o processo da evolução? Origem do Universo, Origem da sociedade, Origem do 1.º Homem? As respostas encontram-se mais facilmente na existência de seres divinos na religiosidade.

– Enquanto seres humanos temos dificuldade em encontrar os nossos limites.

– O homem religioso tem consciência da sua limitação e encontrou aqui uma possibilidade da que pode encontrar uma explicação, sendo uma forma de chamar “a si” algum tipo de controlo, conforto psicológico e uma certa paz interior.

 

 

O que é a religião?

É uma universal cultural baseada num conjunto de crenças dogmáticas e / rituais que se relacionam com seres, poderes e formas sobrenaturais, para as quais não existem verificação de natureza científica. Mas mantêm-se, são persistentes, porque as pessoas acreditam na sua crença. Portanto, a Religião em Acção é um conjunto de práticas, ritos ou rituais.

 

A religião tem duas dimensões:

 

1-      Religião enquanto conjunto de crenças e práticas, é uma universal cultural bastante diversa, pois têm um número extremamente elevado de crenças e existem práticas destas religiões em quase toda a globalidade. As grandes religiões mais destacadas, são: Cristianismo, Islamismo, budeísmo, Hinduísmo, Judeísmo.

 

2-      Estas várias religiões não são experimentadas nem vividas na mesma maneira. Os seres humanos interpretam alguns conteúdos, estabelecem com as entidades divinas uma relação contratual no sentido de pedir ajuda.

A religião não se compara com nenhuma outra universal porque é a única baseada na fé. Para aqueles que tês fé, é vivida de formas diferentes.

 

__________A Abordagem Antropológica

 

A abordagem Antropológica da Religião não é um trabalho filosófico mas é à base do trabalho de campo que implica que a Antropologia faça uma recolha de dados no terreno e a sua interpretação – interessa-se fundamentalmente pela crença, pelo ritual e simbolismo. Interessam-se não apenas pelas funções sociais da religião mas também pelo seu conteúdo, pelos actos, pelos acontecimentos, processos, praticantes e organizações religiosas.

 

Através da Observação participante

Observa a importância que a religião tem nas comunidades (ex: ver os cultos, rituais, práticas..). Fazer Antropologia da Religião significa “ver como é que o homem religioso consegue gerir duas percepções que não se podem anular: Religião Sagrada / Profano, isto é, Observar como a Dimensão Sagrada influi no domínio Profano.

 

 

v  A construção do sagrado____________________________________________

 

Para o homem Religioso existem duas razões de existência, dividindo a sua existência em dimensão profana e sagrada.

:

1-      O domínio Profano – domínio imperfeito. Se refere ao mundo real, com toda a nossa materialidade e desejos, dominado por princípios que não são de ordem religiosa. É uma vida passageira com menos qualidade, sem objectivos. O homem tem que se esforçar para adoptar comportamentos de domínio sagrado para atingir a outra dimensão e sair do mundo dos homens. Tem provas para dar.

 

2-      O domínio Sagrado – é tudo o que é perfeito, o divino. O ideal a atingir. Sagrado é algo que é superior a nós, para além da nossa existência mundana. Se refere que o homem religioso tem necessidade de acreditar que a morte física não é o fim. O melhor tempo é o que está para vir. Pode envolver Tabus, práticas rituais associados á religião e também a forças superiores magia espiritos ou divindades

 

Estas concepções do sagrado para as pessoas religiosas são aplicadas no tempo e no espaço. A gestão do tempo e do espaço remete-nos para a dualidade.

 

Em termos de concepção de tempo: TEMPOS SAGRADOS – existem tempos ou períodos de cumprir os rituais sagrados. São tempos cíclicos que funcionam como alimento da fé, a sobrevivência. Sendo cíclicos aproximamo-nos do mundo perfeito.

A ciclicidade dos tempos sagrados é visível em muitas situações de quaresma (natal, Páscoa..) mas também os que são instituídos como os dias dos santos padroeiros. São tempos em que os comportamentos dos crentes se alteram para se aproximarem do mundo perfeito, pois existem normas e procedimentos que são incutidos (ex: Jesuar na Páscoa).

 

Em termos de concepção de espaço: ESPAÇOS SAGRADOS – Locais de culto (igreja) ou até espaços domésticos das próprias pessoas (têm reservado um espaço de oratório num canto da casa). Exige que as pessoas que entram nesse espaço tenham um modo de acção e comportamento que é esperado (exemplo: não conversar umas com as outras). O mesmo espaço sagrado pode significar o mesmo para várias culturas.

 

O cumprimento de regras é um sinal de referência, importante para o termo antropológico. Assim a antropologia tenta perceber comparativamente (de crente para crente) porque é que as pessoas têm de cumprir e porque as pessoas vivem a religião de forma diferenciada.

 – Qual é a importância que a religião tem nas diferenças de comportamento cultural e social ?

– Como as pessoas vivem no seu quotidiano com a religião?

– Quais as funções da religião na vida dos homens? São funções de que natureza?

 

 

Os interesses da Antropologia á religião: A teoria Antropológica e a religião

 

  1. EVOLUCIONISTA
  2. PARADIGMA FUNCIONALSTA
  3. ABORDAGEM SIMBÓLICA

 

 

                              Perspectiva EVOLUCIONISTA (1.ª escola antropológica)

                Edward Burnett Tylor (1832 – 1917) – foi o 1.º teólogo a pensar na religião em termos Antropológicos.

– Ocupou-se em tentar perceber como é que a religião foi evoluindo.

– e chegou à conclusão que a religião pode ser caracterizada como elemento da cultura que a evolui e como uma resposta para as duvidas do homem

– A religião tinha origem na incapacidade do homem para a resposta as duas grandes dúvidas que o homem tem e que sente necessidade de explicação pois o atormentam, é a ideia da Morte e do Sonho.

 

Em 1871 – Taylor Publica Primitiva Society, descreve que as duvidas que o homem tem em relação à morte e ao sonho, o atormentam. Por isso ele procura incessantemente as respostas para estes fenómenos.

 

Para Taylor, a linha de evolução da religião passa pelo:

 1) Animismo

 2) Politeísmo

 3) Monoteísmo:

 

·         ANIMISMO (forma mais antiga de religião)

Crença de que todas as coisas (vivas e não vivas) são dotados de alma.

Alma = ANIMISMO (ANIMA – origem latina)

A entidade não era um Deus, mas é apenas uma possibilidade de existência, era uma identidade para além de nós.

Estas crenças animistas são a maneira básica que o homem primitivo procura explicar para as suas dúvidas e medos na medida que, Morte tem a alma e, os Sonhos: Durante o dia existe “nós próprios” e durante a noite reproduzem imagens, onde existe um outro eu (Alter-ego).

Não precisavam de ir á igreja, não precisavam de organização e praticavam à sua maneira.

O animismo teve o seu tempo , mas os conceitos continuam. É uma crença que está presente em muitas religiões, que crêem que todos possuem alma, encontrando-se em várias sociedades. Terminou por volta dos anos 50.

 

·         POLITEÍSMO

Mais estruturada, tendo a crença numa variedade de Deuses. Antiguidade Clássica, império Romano e hoje temos o Hinduísmo.

 

·         MONOTEÍSMO

A crença em apenas um Deus Todo-poderoso, a mais estruturada e racional. Até ao século 19 era a religião dos Europeus (Cristianismo, Islamismo e o Judaísmo)

 

A abordagem Evolucionista, Perdeu a sua Influencia, mas a categorização de Taylor mantém-se.

 

 

                              PARADIGMA FUNCIONALISTA DA RELIGIÃO

               Bronislav Malonowski – 1884 – 1942) – fundador da 1.ª escola funcionalista.

Malinowsky escreve “Magia, Ciência e Religião (1925) desenvolveu a “teoria das necessidades” como resposta a necessidades individuais e sociais, em que a religião fornece a resposta a necessidades de carácter:

·         Individual (medo da morte, crença na vida para além da morte, conseguindo assim acalmar os que têm medo da morte.)

·         Social (a religião é o que permite manter a coesão social e mantém a harmonia do grupo – forte influencia de Durkheim)

Sendo a morte – uma perturbação na ordem social, ela afecta o grupo na sua totalidade. Toda a comunidade mobiliza-se para dar as condolências á família. Por isso, para Malinowski, a religião cumpre as necessidades individuais e sociais, repõe a ordem normal e mantém a harmonia do grupo, permitindo que a pessoa possa viver a sua vida sem estar atormentada pela morte.

 

 

                              ABORDAGEM SIMBÓLICA

Antropólogo Clifford Geertz (1926 – 2006).

A religião, Sistema cultural – é um conjunto de símbolos sagrados que ajudam as pessoas a estabelecerem relações e a formularem determinadas concepções do Universo (cosmo visão).

O que faz A RELIGIÃO é a importância com que lhe atribuímos. A religião é uma construção cultural, que não precisa de deuses mas precisa fundamentalmente que as pessoas acreditem nelas – ter fé.

 

(Esta abordagem é mais aproximada das actuais, juntamente com a de Malinowski)

 

v  Religião, magia e bruxaria___________________________________________

 

A definição que Anthony Wallace nos apresente de religião sendo“comportamento que pode ser classificado como crença e ritual relacionado com seres , poderes e forças sobrenaturais” se relaciona não só com a religião mas também à magia e bruxaria.

 

                  MAGIA

A magia envolve técnicas que visam um  fim especifico. são estratégias, técnicas, práticas ou acções efectuadas por meio encantamento, ilusão, feitiços e outros procedimentos do tipo ritual que têm fins específicos. As pessoas são profundamente treinadas e são dotadas de grande sensibilidade, com poder, para estas artes e truques.

Exemplo: Distinção entre Magia Branca e Magia Negra

  • Magia Branca: tem um efeito positivo sobre os destinatários da acção.

Por exemplo: prática da limpeza espiritual, da abertura de caminhos, do desmanche de feitiços de magia ocultas e negra. Tem um efeito curativo para que alguém seja protegido. Também é utilizada para trabalhos e feitiços para o amor na união dos anjos da guarda, feito para pessoas que não conseguem ficar juntos da pessoa que amam.

  • Magia Negra: tem um efeito negativo sobre os destinatários da acção.

Pretendem subjugar os espíritos malignos, com base em rituais, cânticos, invocações e usando fórmulas mágicas e conseguem manipular o comportamento dos destinatários da acção, para o seu proveito próprio. Por exemplo: A invocação demoníaca e o bruxedo, as práticas do Vudu, do feitiço e da necromancia.

 

A magia pode funcionar por

 Imitação para fim desejado – exemplo: Vudu através de bonecos que representam o destinatário da acção.

Contágio – exemplo: Em algumas sociedades pessoas tem imenso cuidado para não deixarem elementos pessoais em locais que possam ser recolhidos por outros que possam praticar acções de magia.

 

 

                  Bruxaria e feiticaria:

São também elementos de crença extremamente comuns em algumas sociedades nas quais o antropólogo faz as suas investigações.

O Antropologo distingue dois conceitos

  • A bruxaria, como uma prática sobrenatural, porque são acções de uma pessoa que nasce com esse poder. Está capacitada para causar malefícios a outra pessoa. É uma capacidade inata, o poder nasce consigo.
  • A feitiçaria, Muito diferente da bruxaria, refere-se igualmente à capacidade para infligir efeitos a outros mas, por aprendizagem, não é capacidade inata. Consiste em actos deliberados de manipulação de objectos, verbalização de palavras que tem como objectivo causar um determinado efeito, bom ou mau.

 

Estas práticas têm semelhanças com a religião, porque a vida quotidiana está muito relacionada com estas práticas.

 

 

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