Psicologia_1º Cap (ptos: 1.3.2 e 1.4)_Apontamentos

Publicado: maio 15, 2010 em Psicologia

1.3.2. ­­­­­­­­­­                         Perspectivas actuais da Psicologia_________________

 

Não existe consenso sobre o objecto, os objectivos e os métodos na Psicologia; visto que as raízes iniciais são complexas e variadas. Assim não é surpreendente que o campo seja tão diversificado hoje em dia.

 

Os psicólogos tendem a identificar-se com 4 pontos de vista:

 

i) O ponto de vista psicanalítico;

ii) O ponto de vista neobehaviorista;

iii) O ponto de vista cognitivo;

iv) O ponto de vista humanista e

v) A combinação das 4 perspectivas.

 

i) O ponto de vista psicanalítico:

 

Segundo Erich Fromm:

 “O método da psicanálise consiste em tirar inferências dos factos observados, depois formular hipóteses, e compará-las com os factos posteriores e que forem encontrados e eventualmente fundir um corpo organizado de material com o fim de verificar a validade das hipóteses.”

 

Este ponto de vista é sobretudo adoptado por dois tipos de psicólogos:

 

a)os que estudam  a personalidade, o ajustamento, a anormalidade e o tratamento.

b) os psicólogos clínicos que tratam indivíduos psicologicamente perturbados.

 

ii) O ponto de vista neobehaviorista:

 

Perspectiva mais completa e flexível que a anterior (de Watson) mas ainda dedicada ao estudo dos estímulos, das respostas observáveis e da aprendizagem, estudando cada vez mais fenómenos complexos.

 As preocupações neobehavioristas continuaram apenas assentes em estímulo-resposta.

 

Na perspectiva mantem-se:

 

i) Elaboração de questões precisas e bem delineadas utilizando métodos objectivos e

realizando investigações meticulosas.

 

ii) Weiss e os seus estudos: Como é que o factor psicológico “previsibilidade de tensão” afecta a formação de úlceras no estômago?

 

Realização de experiências com ratos de laboratório em contextos distintos:

a) Ratos não sujeitos a choques eléctricos – não desenvolveram úlceras;

b) Ratos sujeitos a choques eléctricos a intervalos regulares – desenvolveram

pequenas úlceras;

c) Ratos sujeitos a choques eléctricos a intervalos irregulares – desenvolveram úlceras

mais graves que os anteriores ratos.

 

 

iii) O ponto de vista cognitivo;

 

1. Os anos 60 e a preocupação com os processos mentais ou cognitivos que se produziam entre os estímulos e as resposta.

 

2. Uso de métodos como a introspecção informal e métodos objectivos.

 

3. Combinação de aspectos de diferentes correntes como o funcionalismo, o estruturalismo e a Gestalt (e.g. Ulrich Neisser, William Hirst e Elizabeth Spelke).

 

4. Estudo do modo como os indivíduos se conhecem, compreendem e pensam o mundo a partir de si próprios (e como tal, posteriormente, pode influenciar o comportamento).

 

5. Há que estudar os processos mentais como o pensamento, a percepção, a memória, a atenção, a resolução de problemas e a linguagem. Todos estes processos têm que ser estudado para adquirir conhecimentos precisos de como funcionam e como são aplicados na vida quotidiana.

 

 

iv) O ponto de vista humanista

 

1. O estudo do “significado de estar vivo enquanto ser humano”.

 

2. Divergindo em muitos aspectos, os psicólogos  humanista têm como matriz central os seguintes pontos em comum:

 

           i) Fim prático da Psicologia com vista à compreensão e ao desenvolvimento do ser humano;

 

          ii) O ser humano estudado como um todo;

 

         iii) Investigação sobretudo sobre problemas humanos mais significativos;

 

           iv) Psicólogos devem concentrar-se sobre a consciência subjectiva (a forma como os indivíduos vêem as suas próprias experiências) uma vez que, em todo o comportamento humano é acentuada a interpretação;

 

          v) Psicólogos devem esforçar-se por compreender não só o geral e universal mas também o individual, excepcional e imprevisível;

 

         vi) O importante são os problemas que o investigador decide estudar. Quanto aos métodos estes podem ser objectivos, estudos de casos, introspecção informal, análise da literatura, etc;

 

 

3. O comportamento não resulta de determinantes biológicos, inconscientes ou ambientais. Os indivíduos têm a capacidade de tomar decisões e controlar o seu comportamento.

 

4. Todos os seres humanos podem atingir o seu máximo potencial se existem oportunidades para tal (a Psicologia pode ajudar nessa realização).

 

5. A liberdade de escolha e a capacidade de tomar decisões sobre a própria vida são aspectos fundamentais.

 

 

v) A combinação das 4 perspectivas.

Os psicólogos dos vários ramos da Psicologia podem usar uma ou várias destas perspectivas.

 

Outras perspectivas actuais:

A Perspectiva Biológica: o comportamento de todos os seres vivos é considerado em termos de funcionamento biológico. Debruça-se sobre a relação entre a hereditariedade e a evolução e as características físicas e comportamentais. Segundo esta abordagem, para um conhecimento profundo do comportamento actual há que perceber como é que o mesmo evoluiu e chegou até aos dias de hoje (e.g. o sorriso).

 

A Perspectiva Psicodinâmica: o comportamento é motivado por forças interiores e por conflitos sobre os quais os indivíduos não têm nenhum controlo.

 

A Perspectiva Comportamental: Nesta perspectiva distinguem-se J. Watson (o comportamento resulta sobretudo da influência do meio) e Skinner. Esta perspectiva coloca implicações ao nível da aprendizagem e do tratamento das perturbações mentais.

 

 

1.4.__________ Aspectos éticos na investigação em Psicologia

 

Em todas as investigações há regras éticas que devem ser respeitadas de modo a proteger os participantes.

 

1. Proteger dos participantes relativamente a danos físicos ou mentais.

2. Assegurar o direito a privacidade dos seus comportamentos.

3. Assegurar que a participação é voluntaria.

4. Esclarecer os participantes relativamente a natureza dos procedimentos a utilizar ao longo do protocolo (realização da experiencia).

 

O que e o principio do consentimento esclarecido?

Documento escrito que e assinado pelos participantes onde se afirma que os mesmos estão a “par” do que irá ocorrer no estudo, os riscos potenciais (se estes podem existir), e que a sua participação e voluntaria e pode terminar por vontade própria.

Este documento só não é utilizado quando os riscos do estudo são praticamente inexistentes ou mínimos.

 

E nas investigacoes que envolvem nao-humanos?

1. Todos os esforços para minimizar o desconforto, a doença e a dor;

2. Contribuir desenvolvendo esforços para o bem-estar não humano.

3. Devem-se fazer experiencias em não humanos se não houver alternativas e se as potencialidades das descobertas possam vir a ser justificadas?

 

 

Porque e que se utilizam tantos não-humanos na Psicologia?

 

a) Alguns têm um tempo de vida mais curto;

b) Alguns têm comportamentos menos complexos;

c) São mais facilmente manipuláveis as variáveis ambientais;

d) Alguns são muito parecidos connosco genética, fisiológica e comportamentalmente (os outros primatas);

e) Eticamente não seria correcto realizar as experiencias em humanos.

 

 

_____________________________Fim do 1.º Capítulo_____________________________

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