Antopologia_ 2.º capitulo_2.º pto

Publicado: julho 1, 2010 em Antropologia

2SISTEMAS POLÍTICOS DE PODER CENTRALIZADOS – (CHEFATURA E ESTADO PRIMITIVO)

 Chefatura: são sociedades hierarquizadas com algumas linhagens e os seus membros têm um estatuto social mais elevado do que outras linhagens. É um sistema em que já existe um cargo de chefia, pela sua condição de chefe ele já se consegue impor;

O Chefe “nasce “para ocupar o cargo e pode transferir o seu poder e autoridade para os seus herdeiros ou pode nomear o sucessor. Aquele que ocupa o cargo do poder é sempre diferente dos demais, sendo visível a distancia entre o chefe e os demais. No entanto o cargo dele depende muito, de, quem ele tem sobre a sua orientação;

 

 – Normalmente o Chefe, nestes sistemas subornava as pessoas, ao dar-lhes privilégios, concedendo-lhes títulos, terras, para que elas o continuassem a o eleger como tal;

 

 – No entanto, esse procedimento por parte dos chefes ao conceder esses títulos e terras, favorecendo mais a uns e não a outros (princípio que não era igual para todos), o que veio a originar uma hierarquização Social, e o aparecimento de outros mecanismos de poder.

 

 – Contudo, o chefe neste tipo de sistema, para sobreviver tinha que manter o Princípio da Lealdade, se tal não acontecesse, se o chefe deixa-se de ter o tal Status quo, rapidamente cairia da cadeira.

 

Estado Primitivo: Surge na época dos Descobrimentos. Nessa altura a antropologia era de gabinete em que os primeiros missionários embarcaram nas naus junto dos descobridores, à procura de novas terras, e com o intuito de fazer etnografia – trabalho de campo, a fim de descobrir novas culturas, novos povos, para que quando regressassem pudessem transmitir aos Antropólogos. Esses mesmos missionários quando chegaram ao terreno, descobriram estruturas muito próprias, com o seu próprio sistema, com os seus anciãos que decidiam como é que a lei era praticada no seu seio.

 O estado primitivo eram sociedades com muitos milhares de indivíduos e com alguma propriedade privada. Viviam da agricultura intensiva. As trocas económicas eram efectuadas com base no comércio na recolha de impostos através da doação de produtos de cultivo como (batatas, cenouras etc.). O líder era soberano suportado por uma burguesia aristocrata. No estado primitivo já existe leis e punição formais, podendo recorrer ao uso legítimo da força. A estratificação social era por meio de classes (sociedade estratificada). A lealdade ao estado era um meio de integração social através do comercio e especialização.

 

ESTADO MODERNO / ESTADO NAÇÃO

O estado moderno, nação, emerge no Sec. XVIII/ XIX na sequência da revolução francesa.

ESTADO MODERNO – deixa de existir uma monarquia absoluta , e gradualmente passa a existir um estado de direito, em que aos olhos do Estado todos são iguais. Não há benefícios de nascimento, ou seja, o clero e o povo mantem-se mas deixaram de ser súbditos ao rei passando a ser cidadãos.

TAMBÉM SE CHAMA ESTADO NAÇÃO –Cada nação enquanto unidade cultural distinta deve constituir-se como um estado de direito. Surge também a divisão de poderes – executivo e o legislativo, e dizia –se cada Nação o seu Governo.Comunidade que está formada por um conjunto de valores de natureza objectiva (língua falada, territórios do espaço nacional) e de natureza subjectiva (vontade de fazer parte da nação).

Em teoria todos os estados modernos são estados nação, na prática são raros os que são estados nação.

1.º estado nação, na Grécia em 1832: O facto de fazerem parte do império romano há 4 séculos, puderam manter a sua identidade religiosa; Tiveram Legitimidade para se assumirem-se como nação, pois tinham uma cultura própria, religião e direito à soberania, este tipo de nação na Grécia foi o espelho impulsionador para a formação de um estado nação na  Itália em 1861.

Este exemplo da Grécia, inspirou também a Alemanha, os EUA.

 – No entanto por vezes é difícil falar no estado nação, porque por vezes, existem várias nações sobre um único estado. Exemplo da França e Espanha.

 

 

CARACTERÍSTICAS DO ESTADO MODERNO ,NAÇÃO:

o   A sua Territorialidade – é uma marca de identidade estatal muito forte. O estado moderno valoriza muito o território nacional, isto é, um território que se encontra fechado dentro da sua própria fronteira. Antigamente eram muito difusas pois não se sabia distinguir. Valoriza o território pois é um dos seus pilares de legitimidade, que têm o poder de legislar, fazer cumprir a lei e impor a lei.

o   Lei e  o uso da força:  o estado nação tem uma propenção para assegurar a ordem e o funcionamento da sociedade sendo que a lei é igual para todos, e o estado cria leis e coloca-as em acção podendo sancionar. A centralização da lei se torna possível porque Os cidadãos são iguais perante a lei, não importa a sua origem, se é rico, se foi guerreiro. Ao contrário do que não acontecia em estados anteriores, na idade média que e pré moderna que existiam: o rei e os súbditos do rei (nobres  alto clero, povo e baixo clero e o servo), e o facto de o servo matar um senhor eram mais pesado do que o senhor matar um servo.

 

o   Cidadania – O indivíduo é sujeito de direitos e deveres. o Estado tem expectativas, as quais são impostas e obviamente têm que ser cumpridas e do mesmo modo, cidadãos também têm expectativas em relação ao estado. O estado cumpre as suas obrigações com todos de igual modo e espera que os cidadãos também cumpram. Ou seja deveres e direitos iguais para todos.

IGUALDADE – LIBERDADE – FRATERNIDADE

UNIVERSAL

 

 

o    Soberania – Todos os estados Modernos são, por definição, soberanos,.  O estado sendo suberano não admitem qualquer intervenção exterior. Por exemplo o facto de pertencermos à EU, somos parte de uma agência politica que não é portuguesa. Estas autoridades são supranacionais.

 

o   Carácter abstracto –“o estado não tem rosto” é uma estrutura abstracta.  O que conhecemos do estado é através daqueles que dão a cara  por ele. É um estado sem rosto, todos fazem o estado, bem ou mal pela experiência de cada um. Nós relacionamo-nos com o estado através das instituições e papéis e falamos do estado através da experiencia de vida que faz com que falemos bem ou mal.

 

 

ANTROPOLOGIA E O ESTADO.

– O estado Moderno foi objecto de estudo da Antropologia Política, sendo efectuado um trabalho de campo de uma forma empírica. Esse trabalho é efectuado pelos antropólogos junto das pessoas que conhecem verdadeiramente o estado, os que representam ou trabalham com o estado.

O estado é o fenómeno político mais estável e mais centralizada sendo um estudo de enorme relevância para a antropologia. O estado é o desenvolvimento de um maior alcance político, com lideres com capacidade de aplicar a lei e o uso da força.e organização e defesa dos seus membros e recursos.

A antropologia assumiu relativamente ao estado, uma postura máxima das formas anteriores de organização social. Encara o estado como sendo a forma de organização politica mais estruturada.

 

MOTIVO DE INTERESSE ANTROPOLÓGICO PELO ESTADO MODERNO/ NAÇÃO

 “Aspectos mais importantes”

 (1) A CRISE DO ESTADO NAÇÃO, aspecto este mais trabalhado nas décadas de 80/90, com o intuito de tentar perceber se os acontecimentos tinham transformado um estado nação em estado de crise. Por exemplo, deu-se essencialmente com: A Globalização (com o seu fluxo de bens e pessoas se desgasta o poder do estado nação. – Com a queda o Muro de Berlim – e com a forma como o mundo bipolarizado deixa de existir.

 (2) CONSTRUÇÃO CULTURAL DO ESTADO E DA CIDADANIA: o estado é culturalmente construído. Ideia que cada grupo tem é variável em função da sua cultura. Cada pessoa tem a sua experiencia em relação ao estado. Se a nossa experiencia for negativa, construímos um significado/entendimento negativo sobre isso. Por exemplo hoje temos uma grande descontracção ao ouvirmos o hino nacional, ou usarmos a bandeira nacional, ao contrário de nossos pais, que o hino ou a bandeira impunha respeito com o estado.

Exemplo do contrabando: prática social, politicamente legitimada para alguns devido às condições , pois o estado não se preocupava com as pessoas na fronteira. Então as suas experiencias com os guardas eram muito negativas.

A CIDADANIA : todos os que estão no território do estado tendo lá nascido ou mesmo sem ter nascido., conseguiram um estatuto são considerados como cidadãos. Todos os cidadãos têm direitos e deveres instaurados pelo estado. é um conceito que tem uma dimensão cultural, bastante variável entre as sociedades. As pessoas se desculpam através do tratamento que o estado lhes dá (“porque é que devemos cumprir se os outros não cumprem e são beneficiados?)

A antropologia na questão de cidadania tem estudado muito a lei de Max weber em que o estado não exerce sempre da mesma maneira, havendo variações no modelo.

Existem 3 domínios de abordagem antropológica da cidadania: (a) modo de legitimação politica e social da condição de cidadão. (b) a cidadania face a outras formas de identificação colectiva (c) cidadania e território e diferentes escalas de exercício da cidadania.

 (3) DUALIDADE ENTRE O PODER CENTRAL E O PODER LOCAL – O poder Local, tem uma perspectiva mais micro e estuda em profundidade. Com muita frequência vermos o poder do estado sãs suas agencias locais (autarquias, freguesias, conselhos). O poder local procura uma forma mais básica de exercício. Estudo esse efectuado através dos utilizadores locais – Para muitos o único contacto com o estado é através da Autarquia, Câmara Municipal e Registo civil.

 Nota: No fundo a Antropologia Política ao se interessar pelo estudo do Estado Moderno, é sobretudo um estudo direccionado para a observação  da  relação das pessoas entre as instituições.

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