Antopologia_ 3.º Capítulo_1.pto

Publicado: julho 1, 2010 em Antropologia

PONTO 3.

PODER E SOCIEDADE, PODER E CULTURA. O PODER POLÍTICO COMO SISTEMA. AS ADERÊNCIAS EXTERIORES DO PODER. MODELOS HISTÓRICOS DE ORGANIZAÇÃO POLITICA.

                                          PODER E SOCIEDADE, PODER E CULTURA

 

Antropologia polítca:

A política contém: relações de poder e autoridade, apresenta estratégias de tomada de decisão e estruturas de controlo social (tais como bandos, tribos, Chefaturas e estados).

A antropologia política detém-se sobre todos os assuntos inclusive sobre a etnicidade e o nacionalismo sendo uma das áreas de especialização mais sólida dentro da Antropologia.

A antropologia política desenvolve-se a partir dos anos de 1940, Altura em que se torna autónoma e que aparecem o 1.º publicações da Antropologia sobre o poder e a vida política das sociedades, que provavam o interesse dos Antropólogos É no domínio Africanista que os antropólogos fazem as suas 1.º explorações. (principalmente provocam o interesse dos antropólogos britânicos sobre o poder em contexto africano).

É em 1940 também que surge uma obra de referência para a Antropologia Política – Sistemas Políticos Africanos – a qual foi coordenada por Evans – Pritchard e Meyer Fortes.

 – A Antropologia Política é considerada a disciplina que estuda as instituições do governo (estuda o estado) nas quais os homens estão representados e a forma como estas regulam as sociedades.

É o instrumento que permite descobrir e estudar quais os mecanismos que permitem assegurar o governo dos homens, assim como dos sistemas de pensamento, e símbolos que o fundamentam. É altamente variável e Universal. Exemplo: Ser presidente em Pt é diferente de ser Presidente na comunidade iraniana.

 

O poder:

– Max Weber foi o mentor do conceito de poder. Defende que o poder é um conceito Sociológico:

 O poder é a capacidade que uma pessoa tem de fazer exercer a sua vontade sobre os outros, com a capacidade de se impor, mesmo que tenha resistência, podendo contrariar a vontade dos outros.

Na abordagem ao poder, os Antropólogos tem interesse sobre quem chega ao poder e estudam as relações entre o poder e pelos outros segmentos da sociedade, tais como as relações entre o poder e a economia, o poder e o parentesco, a economia e o domínio do sagrado, o poder e a cultura.

O poder está presente em tudo e em todas sociedades, é transversal porque as relações sociais são assimétricas. O poder está sempre em alguém superior a outra, mesmo que não concordemos com as decisões de alguém superior a nós temos que cumprir. Por outro lado, quem tem pouco poder tem pouca capacidade de se impor.

No espaço doméstico é a ascendência que os pais têm sobre os filhos.

 

                                              O PODER POLÍTICO COMO SISTEMA

Poder Político – é o poder exercido na esfera pública que afecta toda a sociedade.

É a capacidade que um grupo ou pessoa tem de exercer a sua vontade sobre os outros, tendo a capacidade de influenciar, condicionar, determinar ou obrigar outros a desenvolver actividades que têm um carácter público.

Características do poder político:

o   O poder traduz uma imposição. Esta imposição não pode nem deve ser puramente arbitrária com vista em si mesma, mas deve ser pensada na óptica de quem a recebe. Existem estruturas e mecanismos que são hierarquicamente dispostos, os quais impõem aos cidadãos o cumprimento das regras sociais. Estes, têm que se conformar com o que lhes é imposto.

 

o   É uma Escolha (1) – Nos podemos escolher dentro de um grau variável, quem é que nos vai representar e quem nos vai impor determinadas normas as quais nós temos que respeitar. Os que não concordam, aguardam que seja chegado o momento de poder escolher novamente.

 

o   (2) – Também é escolha a nível daqueles que o têm. Os detentores do poder também fazem a sua própria escolha ao decidirem qual a opção mais correcta para a governação.

 

o   É Coacção – Quem está no poder tenta lançar mecanismos para impor a sua vontade aos outros (a resistência) com a função de limitar os efeitos de competição. Implica a obediência de quem está do outro lado, pois tem que cumprir as vontades impostas, mesmo que não esteja de acordo com as decisões tomadas. Quem não cumpre pode ser sancionada.

 

Porque é importante o poder? (funções do poder)

o   o respeito pelas regras sociais, sabendo como se devem comportar na sociedade;

 

o   Para limitar os efeitos da competição. Em grupo os indivíduos têm tendência para se tornarem mais competitivos, mas a competição não é necessariamente nefasta, pode também ser bastante saudável, no sentido de ser desafiadora incentivando a serem mais produtivas, “empurrar as pessoas para a frente”.

 

o   Outra função do poder segundo o Ant. Georges Balandier, é limar as arestas da sociedade, ou seja, tratar das imperfeições da sociedade. O Ant. afirma que as instituições deveriam funcionar sem que ninguém fosse sacrificado. Mas, no poder existem disfunções que surgem das situações desagradáveis, provocadas pelo mau funcionamento, quebrando a ordem na sociedade. Deste modo, é necessário repor a ordem na sociedade.

 

 

Implicações do poder – O QUE É QUE  É EXIGIDO AO PODER POLÍTICO:

 

 

o    GARANTIR O PRINCÍPIO PELA RECIPROCIDADE (o dar e receber), princípio básico no poder político. A sociedade escolhe a pessoa mais adequada e acredita nele, e esperam portanto que as suas expectativas também se cumpram. A sociedade dá o seu voto pois quer algo em troca, que quem está no poder cumpra o programa estabelecido. No entanto, Quem tem o poder e se esqueça deste princípio, corre o risco de perder esse poder.

 

o   TER LEGITIMIDADE. A legitimidade é um princípio fundamental no poder político, pois este só se mantém enquanto for reconhecido na sociedade. O poder exercido tem que ser justificado, para que não surjam falhas na legitimidade. Desta forma, o poder Político tem de ter legitimidade para tomar determinadas decisões e a sociedade tem de considerar que essas decisões são válidas. A única falha na legitimidade é duvidar-se dela. Nota: A legitimidade não é o mesmo que discordar. As pessoas não concordam com a decisão, mas não retiram a legitimidade ao governo. Aguardam que seja chegada a altura de escolher novamente.

 

o   Também Implica a obediência, isto é o respeito pelas regras sociais. Mas esta não se aguenta nem se justifica sozinha, os cidadãos tem de perceber que a obediência é um dever.

 

                               MODELOS HISTÓRICOS DE ORGANIZAÇÃO POLITICA.

 

As 1.as abordagens situam-se sobre as FORMAS ARCAICAS DO PODER

Em meados do séc XX, os antropólogos olharam com interesse para as formas de poder das sociedades primitivas, que apresentavam modos e estratégias de governação que não se baseavam em princípios de poder moderno.

Por exemplo: Malinovski e Franz Boas, quando foram estudar outras sociedades encontraram poderes diferentes

 

O PODER MODERNO  É o modelo que sai da Revolução Francesa em 1789;

 – O que o caracteriza é a democracia o povo é quem elege os seus representantes para o poder;

 

O PODER NAS SOCIEDADES PRIMITIVAS – Desde logo o poder nestas sociedades ditas primitivas, tinha uma relação muito próxima com o domínio do parentesco e caracterizava-se por estar interligado a outros factores extremamente importantes na construção das sociedades.

            Esquema das sociedades ditas primitivas:

O poder político não pode ser estudado desligado de outras dimensões da sociedade. Tem um carácter sistémico com ligações profundas em 3 domínios fundamentais: Parentesco, domínio com o sagrado e com a economia.


 

O PARENTESCO define as pertenças familiares e as descendências familiares. Nestas sociedades o critério da descendência assume um carácter muito importante. As relações familiares definem que tem acesso ao poder. Este principio não é exclusivo das sociedades arcaicas, tb se verifica em algumas monarquias europeias.

O DOMÍNIO PELO SAGRADO tem uma relação muito próxima com o poder político. As sociedades teocráticas são casos em que o chefe político é simultaneamente o chefe religioso. A religião é a base do funcionamento político. Existe uma religião oficial e todos estão obrigados a ser dessa religião.

A ECONOMIA – O poder económico pode ser sinónimo de poder político. Em muitas sociedades o que determinava a ascensão ao poder politico era a capacidade de acumulação de riqueza. O chefe de uma tribo, era aclamado como chefe de acordo com seus bens económicos, ou seja dos bens que ia adquirindo ao longo da sua permanência como chefe. Chefe era chefe enquanto fosse o mais rico entre os chefes.

 Exemplo: Nestas tribos, existiam determinados rituais inerentes à sua cultura e um deles era designado como POTLACH – O potlash consistia numa cerimónia em que todos os representantes (chefes), individualmente tinham que construir uma pirâmide de variados bens e produtos de riqueza, ex: (cobertores de peles de animais , utensílios para caça, ferramentas), que iam adquirindo ao longo do seu período de chefia, através dos seus subordinados, que quanto mais riqueza gerassem ao chefe maior era o tamanho da pirâmide de bens  e  maior seria o seu prestígio político.

 – O chefe que tivesse o maior numero de produtos e excedentes na pirâmide seria o eleito, essas pirâmides de produtos depois eram queimadas e o que conseguisse fazer a maior Pira, era o que supostamente tinha adquirido mais valor ao longo do tempo, e, ou seja ficaria o chefe mais prestigiado, enquanto os outros acabariam por perder o titulo  e alguns dos seus subordinados, que passavam para a tribo do chefe que tinha sido aclamado como o mais prestigiado de todos.

 

SISTEMAS POLÍTICOS PRÉ – INDUSTRIAIS  ou seja Pré – Modernos, são formas de governo que foram mais frequentemente encontradas em algumas culturas que se afastavam do modelo primitivo.

 

1 SISTEMAS POLÍTICOS DE PODER NÃO CENTRALIZADOS

– o poder não está concentrado numa só pessoa, nem sequer existe um cargo de poder; O poder é do grupo, é um poder difuso está distribuído pelos membros do grupo;

Exemplos de sistema de poder não centralizado:

(1). BANDOS (constituídos entre 30 até 150 indivíduos O líder tem liderança informal e ocasional)

(2). TRIBOS (podendo atingir os milhares de indivíduos. Líder sem poder mas com alguma autoridade)

 

  Nestas sociedades só existem Líderes e os Líderes eram considerados conselheiros, orientadores do grupo. Estes Líderes eram conhecedores de muitas áreas como a fauna e flora do seu meio envolvente Ex (sabiam quais eram as diversas plantas medicinais apropriadas para a cura de determinadas doenças.).

 – No entanto esses Líderes não tinham poder de decisão, nem sequer exerciam nenhum cargo de chefia, mas devido ao seu conhecimento pela área envolvente e  ao meio que os rodeava destacavam-se conduzindo sempre o grupo no caminho certo.

 – O líder neste tipo de sistemas, reúne o grupo. O grupo por sua vez, decidem quais os objectivos a alcançar e quem é que irá continuar a guiar o grupo – como Líder.

 – Normalmente neste sistema (de poder não Centralizado), estes grupos eram nómadas, não possuindo sentido de posse, pois não estavam sempre no mesmo local, sendo sociedades caracterizadas no seu tipo de subsistência como caça e recolecção para os bandos, (que normalmente eram constituídos entre 30 até 150 indivíduos), e a agricultura extensiva e pastoreio para as tribos (sociedades mais extensas podendo atingir os milhares de indivíduos), quando determinada terra estava saturada, não dando mais sustento à vida do grupo, ou deixasse de existir quantidade de caça suficiente para alimentar todo a sociedade, eles automaticamente se deslocavam para locais onde esses meios de subsistência fundamentais à vida dos grupos predominassem com abundância.

 A estratificação Social é igualitária– Não existiam mecanismos de hierarquia, nem se quer hierarquias estruturadas – eram considerados todos iguais, todos estavam ao mesmo nível.

 – Podemos concluir, que neste tipo de sociedades em que o poder não está concentrado numa só pessoa, nem sequer existe um cargo de poder, ou seja todos são iguais e todos colaboram nas decisões e nos objectivos do grupo, quando assim não é necessário que existam mecanismos hierárquicos – todos estão ao mesmo nível.

Bando: é constituído por líderes ocasionais surgem como lideres de reduzida dimensão (aprox 150 pessoas), subsistindo da caça e da recolecção, e são nómadas. A sua liderança é a nível familiar e dependem da sua capacidade de desempenhar tarefas importantes. Do seu poder não advém nenhum beneficio nem nenhum estatuto. Constituem um exemplo de liderança informal, não tendo autoridade para impor algo. O líder ocasionar não pode mandar mas apenas sugerir, não pode ordenar mas apenas pedir. O líder tem o princípio da reciprocidade partilhada. Exemplo dos Bandos: Kung, Pigmeus, Eskimo.

Tribo: Tipo de liderança conhecida como Big Man. O líder tem autoridade e é muito relacionado com as trocas económicas como a redistribuição, sendo o papel fundamental do Big Man. A sua principal função é ser líder carismático, tentando a resolução de conflitos e disputas, repondo a ordem. Ele funciona como um exemplo a seguir, pode recomendar, persuadir mas raramente pode comandar. Normalmente são identificáveis através de seus símbolos de poder. Espera-se que seja generoso, que organize o trabalho e que represente a comunidade junto de outros grupos. O líder tem assim o principio de reciprocidade da troca. Exemplo de tribos: Nuer e Chyenne.

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