Cognição e Linguagem_ Tipos de comunicação

Publicado: julho 1, 2010 em Psicologia

TIPOS DE COMUNICAÇÃO

 

Comunicação reflexiva: padrões estereotipados (ex: chorar → estar triste). São gestos ou sinais que transmitem informação embora não tenham sido concebidos para esse fim. Ex: expressões faciais, corar..

 

Comunicação intencional: tem o objectivo de levar informação ao receptor, dependendo o seu seguimento da resposta deste (e.g. gestos, expressões faciais, movimentos, etc.).

A linguagem é o tipo de comunicação intencional mais sofisticado

 

  1. A linguagem relaciona símbolos (sons, letras e sinais) dando-lhes significado.

 

  1. A linguagem proporciona regras para combinar esses símbolos para podermos expressar-nos (ex: não escrevemos “asac” mas sim “casa” ou não dizemos que o “— Frio está dia” mas sim que “— O dia está frio”).

 

  1. Para a espécie humana não só é fácil como é provável a aprendizagem da linguagem: aos 2/3 anos a criança aprende as bases, aos 5 usa a linguagem dos adultos do seu meio.

 

Processo de aquisição da linguagem:

 

  1. Pouco após o nascimento o bebé já possui as capacidades necessárias à aprendizagem da linguagem (ex: e capaz de distinguir sons semelhantes).

 

  1.  Durante os primeiros 6 meses todos os bebes produzem vocalizações semelhantes.

 

  1. Dos 6 aos 12 meses: as vocalizações começam a variar (ex:. que) e são lhe associados gestos (ex: estender os braços).

 

  1. Depois dos 12 meses:
    1. Os bebes imitam os sons a sua volta;
    2. Começam a compreender o significado de algumas palavras.

 

    1. Usam uma linguagem simples: em que uma palavra transmite uma ideia completa (ex: papa = quero comer); uma só palavra designa vários objectos ou pessoas.
    2. A maioria das palavras usadas nesta idade começam por ser as que facilitam a interacção com os outros. (passagem dos sons as palavras).

 

Depois dos 18 meses: começam a combinar palavras (passagem das palavras as frases). (crianças movem-se sozinhas e sentem a necessidade de comunicar as suas descobertas). As primeiras frases são telegráficas, sem ligar substantivos, verbos e adjectivos (e.g. Zé quer papa).

 

    1. O processo de construção de frases vai sendo gradual mas todas as crianças perto dos 4 anos já conseguem formar frases complexas.

 

A aquisição da linguagem não é um simples processo de memorização e reprodução do que se ouve.

A linguagem implica o uso de regras e é um processo criativo onde se têm constantemente que se usar frases nunca usadas anteriormente, e adequar palavras a contextos e situações, etc.

 

COMO SE EXPLICA O APARECIMENTO DA LINGUAGEM?

 

Chomsky coloca ênfase na genética – para este autor todos os seres humanos têm uma propensão automática para desenvolver linguagem ou seja, estão pré-programados para compreender as regras de linguagem. Só assim se compreende a existência de princípios universais tão profundos e abstractos como os da gramática.

Provas que confirmam esta ideia:

 

a)      A linguagem está presente em todas as culturas humanas (é universal independentemente das culturas, hábitos, alimentação, etc.)

b)      Os estágios de aquisição de linguagem são semelhantes no mundo inteiro.

c)      Desde muito cedo o bebé é sensível à linguagem.

d)      Mesmo os bebes surdos apresentam capacidades relacionadas com a linguagem (se aprendidas desde cedo).

e)      A especialização (fisiologia) da fala, do aparelho respiratório e do cérebro apresentando este, características essenciais ao desenvolvimento da linguagem (ex: regiões cerebrais de associação do córtex, como as áreas de Broca ou Wernika, que coordenam as actividades motoras e auditivas necessárias à fala).

f)       Os próprios esforços das crianças em dominar a linguagem parecem apoiar a ideia de que a genética esta ligada à aquisição da linguagem.

·        

A experiencia de Ruth Weir (gravador que ligava automaticamente quando a criança falava e esta acabou por desenvolver monólogos com determinados sons que acabaram por ser adquiridos pelo irmão mais novo que os escutava no quarto ao lado).

 

 

 alguns autores que colocam a ênfase na importância do ambiente para a aquisição da linguagem. A aprendizagem é muito importante para a aquisição da linguagem embora seja difícil determinar com exactidão as influências específicas do ambiente.

 

 

Provas que confirmam esta ideia:

 

a)      As crianças com uma audição normal falam normalmente a linguagem da sua família e cultura, e por outro lado, as crianças que por algum motivo vivam isoladas não escutando ninguém normalmente não falam.

·         Estudo de caso realizado com uma criança que estava sempre em casa com pais (surdos-mudos) que lhe ligavam a televisão, só falava por sinais.

b)      Existe um período sensível para a aquisição da linguagem.

Assim:

·         Para adquirir linguagem é necessário ouvir e falar desde cedo. Logo: a aprendizagem de uma segunda língua estrangeira é mais fácil e eficaz quanto mais cedo se aprende.

·         Mesmo as crianças surdas quanto mais cedo começam a exercitar a linguagem mais facilmente a adquirem.

 

c)      De acordo com os diferentes estudos, os pais raramente se preocupam em ensinar de modo activo e sistemático a linguagem aos seus filhos. Estes aprendem sobretudo através das interacções que estabelecem.

É usada por exemplo a resolução de problemas (Ex. a criança diz o nome de um objecto que quer ou pede água e a mãe dá-lhe água (ou o objecto) o que constitui um reforço positivo).

 

Mesmo sem se aperceberem as pessoas tendem a usar determinadas estratégias nas conversas com os bebés que ajudam a criança a extrair as regras da linguagem. Ex: Vocabulário simples, Frases curtas e simples, Muitas perguntas (mães) e comandos (pais), Entoação alta e exagerada (sobretudo para chamar a atenção ou marcar o que é novo e importante).

 

 

À medida que a criança vai adquirindo a linguagem esta vai sendo progressivamente mais complexa.

 

A criança vai aprendendo a linguagem por condicionamento e por observação, Daí a importância das interacções familiares.

 

 

Será a linguagem uma característica especificamente humana?

 

As opiniões dividem-se.

 

De acordo com as diferentes experiencias realizadas não há dúvidas que os chimpanzés (gorilas e os orangotangos) são capazes de usar símbolos.

 

Apesar destas experiências as opiniões sobre as capacidades dos grandes primatas dividem-se:

 

Há aqueles que consideram que os grandes primatas possuem uma verdadeira linguagem e que esta se assemelha à linguagem das crianças humanas:

·                                                  O conteúdo da fala é semelhante:

o Notam o aparecimento de pessoas e objectos;

o Citam localizações;

o Falam de acções;

o Pedem que se atenda as suas necessidades;

· São capazes de apreender abstracções;

· Combinam palavras e comunicam utilizando frases o que denota a existência de certas regras gramaticais;

· Mostram sinais de criatividade ao transferirem palavras antigas para novos contextos: e.g. Washoe, uma chimpanzé, chamou “sujo” ao psicólogo quando este não fez o que ela lhe pediu; e a Koko chamou “gorda” a psicóloga quando esta não fez o que ela lhe tinha pedido.

 

Há também aqueles que são críticos sobre estas capacidades dos grandes primatas usarem linguagem real:

· Afirmam que há diferenças qualitativas entre a linguagem destes primatas e a das crianças;

· Enquanto que as crianças aprendem quase que inevitavelmente uma linguagem, os grandes primatas necessitam de a aprender sistemática e activamente;

·      Enquanto que a linguagem humana é extremamente flexível, os grandes primatas não usam tantas frases e em contextos específicos tão diversos como os humanos;

·      É difícil saber se o primata em questão compreende toda a frase que utiliza do mesmo modo que os humanos quando as utilizam. As capacidades mentais dos humanos são diferentes das dos outros primatas.

·      Não se compreende totalmente o tipo de capacidade que os grandes primatas têm.

·      Acredita-se que estes primatas não-humanos não atingem mais do que nível mental pré-operacional, e se assim for, significara que não apresentarão um nível de sofisticação superior ao de uma criança de 7 anos.

 

Estes estudos são importantes porque permitem estabelecer comparações e daí compreender melhor o que é especificamente humano, para além de nos ajudar a compreender a natureza e as capacidades dos primatas com os quais partilhamos um ancestral comum).

 

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