Cognição e Linguagem_Pensamento cognitivo_Piaget

Publicado: julho 1, 2010 em Psicologia

PENSAMENTO E LINGUAGEM

 

  • A linguagem depende do pensamento, porque para o indivíduo dominar uma linguagem tem que representar mentalmente alguma coisa (ex. imagens mentais como mesa, cadeira, maçã).

 

  •  A linguagem influência o pensamento (ex. dizer que determinado individuo é liberal e muito diferente de dizer que este é leviano).

 

  • As palavras são particularmente úteis ao pensamento quando se trata de:
    • Pessoas ou objectos ausentes;
    • Situações que ocorreram no passado ou que vão ocorrer no futuro e
    • Ideias abstractas. (palavra liberdade, independência)

 

  • Mas segundo Whorf as palavras também podem limitar o pensamento (embora tal seja difícil de provar): ex: os esquimós usam diferentes tipos de nomes para referir diferentes tipos de neve (e pensam em vários tipos) enquanto que um português só usa a palavra “neve” o que significa que o seu pensamento é limitado não fazendo a discriminação dos diferentes tipos de neve).

 

Por outro lado,

 

  •  Mas o pensamento pode existir sem linguagem (ex: capacidade para resolução de problemas: os bebés não falam mas quando tem calor afastam a roupa com os pés).

 

  • O pensamento implica actividades mentais:
    • O raciocínio;
    • A solução de problemas e
    • A formação de conceitos.

 

  • Se estiverem ligadas a uma situação ou problema específico, estamos perante pensamento dirigido; se não estiverem ligadas a uma meta específica estamos perante pensamento não dirigido.

 

  • Ambos os tipos de pensamento (dirigido e não dirigido) dependem dos mesmos processos básicos:
    • Memória,
    • Imaginação e
    • Formação de associações.

 

  • O pensamento só é observado indirectamente, através de:
    • Imagens: são imagens mentais, isto e, traços que ficam retidos na memoria. Estas imagens são visuais, mas também auditivas, tácteis, gustativas… (forma-se um quadro mental). Ex: Beethoven estava surdo quando compôs a nona sinfonia, utilizando imagens auditivas.
    • Linguagem: quando pensamos parece que falamos com nos próprios lábios e às vezes até os mexemos.

 

 

Desenvolvimento da capacidade para PENSAMENTO DIRIGIDO

 

  1. Acreditava-se que a mente humana funcionava como se fosse uma espécie de “armazém”de experiencias. A mente das crianças diferenciava-se da mente adulta apenas pelo número de experiencias acumuladas.

 

  1. Jean Piaget observou que as crianças cometiam certos tipos de erros sistematicamente e deduziu que as crianças pensavam diferente dos adultos.

 

  1. Assim, Piaget concluiu que “o pensamento traduz o que as pessoas retiram das suas experiências, e acrescentam usando a imaginação”.

 

  1. Piaget assume assim uma perspectiva construcionista defendendo que: à medida que a criança cresce vai desenvolvendo as suas capacidades de interpretação e construção da realidade, passando por vários estágios, até atingir as capacidades mentais correspondentes às dos adultos.

 

  1. Piaget defende a existência de 4 estádios para se desenvolver a capacidade de pensamento dirigido:

 

a)      ESTÁDIO SENSORIO-MOTOR (do nascimento até aos 2 anos de idade);

 

§  Neste estádio os indivíduos confiam nos seus sistemas sensorimotores (ex. é através destes sistemas que descobrem o que os rodeia).

§  Desenvolvem-se capacidades cognitivas fundamentais que sugerem quadros mentais ainda que simples e muito confinados à acção.

§  Descobrem que determinados comportamentos têm consequências definidas (ex. chorar faz a mãe vir para ao pé de nós).

§  Desenvolve-se a noção de permanência, isto é, entendem que as pessoas e objectos existem mesmo quando estão fora de visão (noção de permanência de objecto).

§  Encontram-se novos usos para os mesmos objectos (ex. o perfume mais caro da mãe serve para lavar a banheira).

§  Imitam respostas, mesmo quando o modelo está ausente (ex. imita-se a “birra” de um amigo).

 

→ Tudo isto sugere a existência de quadros mentais ainda que muito simples.

 

b)     ESTÁDIO PRÉ-OPERACIONAL (dos 2 até aos 7 anos de idade);

 

  • Neste estádio os indivíduos confiam muito na sua percepção da realidade e não na lógica. (ex. se se despejar liquido de um copo baixo e largo para um alto e fino, a criança pensa que a quantidade aumentou).
  • Resolvem problemas manipulando objectos concretos (ex. trocar flores por moedas) mas não problemas abstractos (ex. sabe-se contar as laranjas e sabe-se que 4 são mais que 3 e 3 são mais que 2. Mas se, perguntar se 4 é mais ou menos que 2 não sabem responder).
  • Desenvolvem a capacidade de pensar a respeito do meio pela manipulação de símbolos (inclusive palavras) que o representam.
  • Principais realizações: uso de linguagem, formação de conceitos simples (ex. cão, cadeira, etc.), brincadeiras imaginativas, fazer figuras que representam a realidade.
  • Começam a desenvolver o conceito de classificação, mas só conseguem lidar com uma dimensão de cada vez (ex. classificar cartões segundo cores, segundo tamanhos, etc. mas não são capazes de classificar segundo cores e tamanhos simultaneamente).
  • Desenvolvimento de pensamentos particularmente egocêntricos (e.g. — o urso veio ao jardim zoológico para que eu o veja)

 

c)      ESTÁDIO DE OPERAÇÕES CONCRETAS (dos 7 aos 11 anos de idade)

 

  •  Desenvolvem a capacidade de usar a lógica e deixam de confiar tanto na informação sensorial procurando compreender a natureza das coisas (ex: perceber que a quantidade de liquido que é transferida de um copo para o outro é a mesma independentemente da forma/tamanho do copo)
  • Passam a confiar mais na razão para resolver problemas;
  • Desenvolvem a capacidade para classificar objectos;
  • São capazes de fazer representações mentais de coisas que antes tinham de fazer (ex: contar)
  • Desenvolvimento de capacidade cognitiva de operações concretas distinguindo: aparência da realidade e o temporário do permanente.

 

→ Os indivíduos lidam logicamente com os objectos mas não com ideias abstractas.

 

→ São capazes de seguir um raciocínio mas, têm dificuldade em detectar erros. Os problemas são resolvidos MAS apenas por tentativa-erro, pois não concebem mentalmente as soluções, analisando-as.

 

d)     ESTÁDIO DE OPERAÇÕES FORMAIS (dos 11 aos 15 anos de idade)

 

  • Desenvolve-se a capacidade de compreensão lógica-abstracta (ex: pensar sobre o pensamento).
  • É capaz de criar mentalmente várias alternativas para a solução de problemas (ex: para ir a discoteca sem os pais saberem recorre-se a varias estratégias).
  • Analisa-se a coerência lógica das crenças (ex: Deus é bom mas a humanidade sofre).
  • Compreendem-se metáforas, pensa-se sobre o futuro, etc.- As escolhas vão ter implicações no futuro.

 

No final deste período as crianças possuem as mesmas capacidades mentais que os adultos.

 

CRÍTICAS A PIAGET

 

1.      Piaget pressupõe que existe um crescimento no desenvolvimento da criança mas nem sempre é assim: por vezes ocorrem recuos no desenvolvimento. Na 1ª infância, por exemplo, as capacidades motoras aparecem, desaparecem e reaparecem. (não concebe que hajam recúos)

 

2.      Nem todas as crianças atingem o estádio final (operações formais) como sugeria Piaget.

 

3.      Piaget deu muita importância à hereditariedade, não dando importância à estimulação ambiental (família, cultura, etc.) no moldar das capacidades cognitivas.

 

4.      Na análise do comportamento das crianças, quando estas resolvem problemas, Piaget não diferenciou a linguagem, da memória e da percepção. Todos estes factores podem ter um papel importante no desenvolvimento da capacidade para resolver problemas.

 

5.      Piaget sugeriu que todas as crianças de determinada idade apresentavam dadas operações mentais quando na realidade tal varia muito de criança para criança (ex:. nem todas as crianças de 4 anos são egocêntricas).

 

6.      As operações mentais NÃO são fixas, isto é, uma criança de 12 anos pode usar a lógica para resolver alguns problemas e as impressões sensoriais para outros.vvv

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