Processo de Produção de conhecimentos_ Margaret Mean

Publicado: julho 2, 2010 em Sociologia

S.GERAL II – AULAS

 

2. PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CONHECIMENTOS

    1. Paralelo entre o Processo de Produção Industrial e o Processo de Produção de Conhecimentos.

         – o exemplo de Galileu e a teoria heliocêntrica;

         – um exemplo nas Ciências Sociais: Margaret Mead e o seu estudo Sex and Temperament in Three Primitive Societies (1935)

 

Como se desenvolve o processo de produção de conhecimentos?

Exemplo do avião

1.º foi dado a matéria prima

2.º houve a transformação

3.º Produto final

Em comparação deste avião de papel com o verdadeiro, o processo é igual, mas com características diferentes.

Tem 3 fases: Matéria prima, Transformação e produto final. É um processo dinâmico porque passa por essas fases.

 

__________________Processo de Produção de conhecimentos

 

Matéria-prima

Transformação

Produto final

Representações teóricas ou pré teóricas;

– Utilizar uma teoria existente e transformar em novas teorias;

 – Utilizamos as nossas ideias e transformar;

Teorias, Conhecimento, Conceitos;

– Definir métodos, técnicas ou instrumentos:

Condições materiais (financeiras)

Sociais e ideológicas (possibilidade de recorrer a um grupo que possa ajudar)

 Nova teoria

 – Aquela que estávamos à procura, ou, talvez seja um problema

    

 

Para elaboração de um trabalho, temos de ter:

    – Pergunta de partida;

    – Abordagem Teórica;

 

Aula .º 3

19-03-2010

 

 

 

 

__________________Processo de produção de conhecimentos (continuação)

 

 

·         Matéria prima:

ü  Reinterpretação;

ü  Ruptura Epistemlógica;

ü  Teoria Heliocêntrica;

ü  Concepção teórica;

ü  Representações pré-teoricas;

ü  Indicar sempre elementos positivos e os negativos. Nos elementos positivos, indicar o facilitador do processo, e os obstáculos nos negativos;

 

·         Transformação:

ü  Indicar o conceito;

ü  Método

ü  Técnicas;

ü   Teorias;

ü   Instrumentos;

ü  Condições a nível material, Social, Ideológico ou político;

 

·         Produto final:

ü  Novo produto ou nova teoria: Reutilizar

 

 

– o exemplo de Galileu e a teoria heliocêntrica;

 

Galileu Galilei (1564 – 1642):

§  Galilei foi desde sempre partidário da teoria heliocêntrica do Copérnico. É o sol e não a Terra, que é o centro à volta do qual o conjunto dos planetas se move. A partir da teoria heliocêntrica “A terra gira”criou a teoria geocêntrica, o movimento (dinâmica);

§  Revolucionário: Galileu defendeu que o heliocentrismo correspondia à realidade e era uma verdade objectiva;

§  Graças à luneta astronómica, permitiu escorar a sua tese em observações novas (e permitiu descobrir os satélites de Jupiter por exemplo.

§  “Quem criou o homem foi Deus, e Deus estava no centro do Universo”. Este principio era um desafio ao senso comum, à religião. Estabeleceu-se então entre ele e a igreja uma polémica que durou mais de vinte anos e terminou na condenação pela igreja, das teses do Copérnico e de Galileu-Galilei.

 

 

Bibliografia:

– Nascido em pisa, estudou 1.º Medicina e depois Matemática.

– 1911- Contribuiu para a ciência moderna principalmente devido à teoria do movimento (dinâmica) e à Astronomia (com o instrumento que permitia ver os piratas – Luneta.

– 1616 é condenado,  pelo Papa em Roma com a apresentação da teoria geocêntrica, (numa peço de teatro).

1616, a Inquisição, em que houve a pronunciação sobre a Teoria Heliocêntrica, declarando que a afirmação de que o Sol é o centro imóvel do Universo era herética e que a de que a terra se move estava "teologicamente" errada, contudo nada fora pronunciado a nível científico. O livro de Copérnico, entre outros sobre o mesmo tema, foram proibidos e foi proibido falar do heliocentrismo como realidade física. No decorrer dos séculos, a Igreja Católica reviu as suas posições no confronto com Galileu.

1846, são removidas todas as obras que apoiam o sistema coperniciano.

 Em 1992, mais de três séculos passados da sua condenação, é iniciada a revisão do seu processo que decide pela sua absolvição em 1999.

 

Concepção teórica – Prática Ideológica – Teoria vigente;

Demonstração (que a antiga teoria está errada)

Transformação

 

– um exemplo nas Ciências Sociais: Margaret Mead e o seu estudo Sex and Temperament in Three Primitive Societies (1935)

 

No estudo de Margaret Mead “Sex and Temperement in tree primitives societies”, Existem obstáculos de carácter individualista/psicologista, que não são mais do que uma tentativa em explicar os fenómenos sociais, gerais, através de atitudes psicológicas e assim, individuais.


Bibliografia

Margaret Mead (1901-1978) é uma conhecida antropóloga americana da Filadélfia. O pai era professor académico na área da antropologia e a mãe era activista social e sociólogo. A formação académica de M. Mead é na área da Família. Teve como professores Francis Boas e Ruth Benedict que a convidaram para ser colaboradora.
“Coming of age in Samoa” (1928) é o titulo da tese de doutoramento de Mead. Apartir deste trabalho, passou a ser comum fazer-se trabalho de campo, principalmente em ilhas. Mead foi para as ilhas Samoa (Papua-Nova Guiné) estudar os adolescentes e as suas oscilações comportamentais. A comparação entre as adolescentes (dos 9 ao 20 anos) da Samoa com as adolescentes americanas fizeram-na verificar que os padrões de comportamento eram completamente distintos – as adolescentes da Samoa queriam atrasar ao máximo o casamento, mas tinham relações sexuais ocasionais, o que chocou a academia americana.

 

Contudo, a comunidade académica levantou obstáculos a esta análise, questionando o porquê de só ter publicado o livro em 83, se já o tinha elaborado muito tempo antes (as entrevistas às adolescentes da Samoa foram novamente feitas, dizendo estas que tudo o que tinham dito tinha sido por mera brincadeira).


Após este estudo, estão abertas as portas para o “Sex and Temperament in Tree primitives Societies”.

 

– “Sex and Temperament in Tree primitives Societies” (1935) estudo elaborado na Papua Nova Guiné em que se centram em três grupos étnicos:
– Arapesh
– Mundugmar
– Tchambuli
O trabalho de campo teve uma pergunta de partida, “Haverá uma relação necessária e obrigatória entre o sexo e o temperamento?”
Mead começou por caracterizar minuciosamente cada grupo concluído que:


– os Arapesh (Plácidos montanheses) era um povo pacifico, que viviam em ambundância, divisão social igualitária, divisão muito definida. O desmame das crianças era tardio e progressivo, por isso, as crianças era muito pacíficas, o que se iria reflectir na vida adulta. Viviam nas montanhas.


– os Mundugmar (Feroses Canibais) eram extremamente agressivos (mulheres e homens). Tudo era visto como uma luta constante, porque necessitavam de se alimentar para sobreviver. O verdadeiro líder é aquele que se revela realmente mau. Dedicam-se à caça de cabeças. Dado o desmame ser muito cedo e também agressivo, tornaram-se hostis em adultos. Vivem nas Planícies.


– os Tchambuli – as mulheres dominam a comunidade do ponto de vista económico, controlando a actividade piscatória. Os homens dedicam-se às artes (gostam de tocar flauta e à construção de adornos). Os homens compravam prisioneiros nas comunidades vizinhas e traziam as cabeças como prémios para as mulheres (que faziam de conta que acreditavam que eram provenientes de lutas). Davam muito mais atenção às raparigas do que aos rapazes que eram até relegados para segundo plano, o que fazia com que as mulheres tivessem a capacidade de liderança. Viviam em zonas marítimas.


Deste modo, Mead conclui o que ilustra o quadro:

 

Agressividade

 

Homens

Mulheres

Sociedades ocidentais

+

Arapesh

Mundugamar

+

+

Tchambuli

.

+

 


Assim sendo, Mead considera que não há relação entre sexo e o temperamento.


Conclui-se assim que na teorização de Margarte Mead, numa perspectiva antropológica, o sexo e o temperamento variam conforme os padrões culturais. A forma de socialização da criança vai sempre influenciar a vida adulta, o que tem uma base explicativa de carácter psicanalista. Mead responde assim àquilo a que se tinha proposto.
Os sociólogos aceitaram os dados recolhidos por Mead já que o desenho da investigação foi bem feito – qualquer outro investigador pode usar os mesmo dados – , embora tivessem rejeitado a sua explicação, pois Mead saltou um obstáculo epistemológico (partiu de algo particular o que não pode ser trabalhado no domínio próprio).


“Sex and Temperament in Tree primitives Societies” vai ser estudado por Codson e Riddel (1970) em que abordam a obra com carácter antropológico de base materialista, mas cuja explicação qualquer cientista social é obrigado a rejeitar na medida em que os autores não leram a obra em questão, simplesmente limitaram-se a uma recolha de apontamentos.


Thomas Kuhn defende que este trabalho será bem ou mal aceite conforme o contexto da época. O senso comum aceita esta teoria desde que generalizado e familiarizado com a área cientifica e desde que as evidencias lhe pareçam lógicas. Por norma, aceita, assim, a nova tese – é chamada familiaridade com o social.

Este estudo é exemplificativo do processo de produção de conhecimentos que consiste na existência de:

 matéria-prima (pré-noções; teorias existentes);

– que depois sofre um processo de transformação (condições, métodos, aparelho teórico e conceptual) e que, por fim,

– chega ao produto final (nova teoria – esta quando refutada, origina um novo processo de produção de conhecimento).

 


“Sex and Temperament in Tree primitives Societies” parte de uma ideia em que há uma pré-disposição biológica do sexo (1920-30).

 

 

 Sendo um processo de produção de conhecimento como matéria-prima existem duas teorias existentes (teorias de base biológica e teorias de representação). Tem dois elementos:


– Negativos: Considera as mulheres diferentes dos homens, dizendo que elas são frágeis, fracas, meigas e ao contrário, os homens são fracos e agressivos. Isto liga-se, deste modo, ao vietorianismo (as mulheres frágeis dedicam-se aos maridos e filhos que procuram adornos e futilidades). A sociedade era discriminatória. Também em relação às mulheres que não acediam aos lugares de topo.


– Positivos: o background familiar e social de M. Meat (avó paterna altamente progressista. Formação escolar em psicologia e em antropologia. “Crazy twenties” – mudanças consecutivas na sociedade norte-americana. Participação em tertúlias de mulheres. Movimentos das sufragistas (movimento que reivindica o direito de voto às mulheres no qual a sua mãe estava integrada).


Como transformação três prossupostos:
– Condições materiais: não passa de financiamento que conseguiu através do seus professor Franz Boas;


– Condições ideológicas: as suas teorizações já se baseavam em suposições. É o chamado corpo teórico.


– Métodos e técnicas: Trabalho de campo, observação directa com três comunidades de estudo.


Após estes dois passos no processo de produção de conhecimento, chega-se ao novo produto que não é mais do que um nova teorização, explicada pelos pressupostos antropológicos, mas também com base psicanalítica., isto é, não há ligação.

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