Sociologia e Filosofia Social_ Fim da História

Publicado: julho 2, 2010 em Sociologia

5.  SOCIOLOGIA E FILOSOFIA SOCIAL

     a) Distinção entre Sociologia e Filosofia Social

A Evolução Social resulta da produção social, quanto mais se conhece as mudanças sociais, mais fácil é reagir à adaptação e a essa mudança. É neste pressuposto que se coloca a questão – Sociologia e Filosofia social, o caso do “Fim da História”.

                   – Sociologia: enquanto ciência analisa a realidade social, a sociedade. Estuda os grupos sociais e as interacções, procurando perceber o rumo das sociedades, compreendendo, deste modo, a reprodução social com a transformação social (as mudanças sociais em si). Não pretende alterar a realidade social.

                  – Filosofia Social:   não é uma ciência. É uma doutrina que, por vezes, aparece próxima da Sociologia por também procurar interpretar a realidade social. No entanto, recorre a uma abordagem diferente por estar associada à ideia de uma análise da evolução histórica da humanidade, propondo-lhe um determinado rumo. Tem o objectivo de transformar/mudar a realidade numa sociedade de pleno bem estar. Quer perceber como se constrói o conhecimento, e assim, criar as suas próprias teorias para a sociedade ideal, uma sociedade de pleno bem-estar.

 

Exemplo de autores “Filosóficos sociais”:

Comte:  Quand define a Igreja positivista, em que todas as sociedades passavam por três estados de desenvolvimento e afirmava que todas as sociedades teriam que alcançar o estado positivo, está no domínio da filisofia. Posteriormente quando define o método cientifico, ele este no domínio da Sociologia.

Marx (sociedade sem classes),

Le Play (Transforma a sociedade em Sociedade sem pobreza),

 

Hegel (acreditava numa sociedade liberal).  

Sait Simon ( também propunha uma organização social assente na industrialização, aliança estreita entre quem possuía capital e os trabalhadores.

 

Está associado ao processo histórico e é por isso que a última filosofia social é o conceito “Fim da História”.

 

 

      b)  Francis Fukuyama e a abordagem do “Fim da História”

 

 

Francis Fukuyama (1952) – Os pais foram professores universitários. Francis Fukuyama (nasceu em ney York) é um conhecido professor Nipo- Americano (filho de japoneses), que se licenciou em Filosofia politica (na California), perseguindo os seus estudos até ao doutoramento na área da ciência politica (em Havert). A sua profissão influenciou a sua vida. É muito conhecido por ser um “opinion maker”. Depois esteve ligado à Rand Corporation (instituto que faz acessória na área das relações politicas internacional. Trabalhou para o presidente Pai Buch, em quase todas elas ligadas ao médio oriente (paz…).

Em 1989 Francis Fukuyama, a convite dos seus professores Alan Bloom e Natham Travoc, participou numa conferencia em Chicago. Ele foi buscar um tema pouco falado nos EUA, mas muito explorado na Europa – “The end of History?”. Ele apresentou e foi um enorme sucesso, a “Bomba polémica”.

No fim da história ele propunha que se pensasse para a realidade. Há uma tendência evolutiva para chegar á Democracia Liberal e  afirma que esse fim da história já chegou. Assim, A democracia liberal seria o fim da História (filosofia politica) – A forma de governo final da História Humana. Afirmou que mais tarde, ou mais cedo todos os estados iriam alcançar a democracia liberal.  Pois havia uma serie de países que estavam na fase da consolidação da democracia. Daí o tema ser na interrogativa.

 

Fukuyama baseou-se na teoria do Fim da História para defender:

o mundo bipolar (2 superpotencias) iria terminar com o enfraquecimento político e Económico da URSS (O bloco do leste começou a ter problemas na sua governação, começou a desmoronar-se) e com o triunfo dos EUA, como superpotência.

 

Este conceito foi mal interpretado por alguns, que interpretaram fim do mundo.

(em Portugal, foi apresentado no jornal em Dezembro de 1989).

 

Em 1992, Fukuyama apresenta o livro “ o fim da história e o ultimo homem” (na afirmativa), no qual responde às perguntas colocadas na conferência de Chicago. Este livro fala com uma maior profundidade o tema da conferência em 1989.

 

Em 1989, a queda do muro de Berlim (derrota da URSS) simboliza o fim da História – o triunfo dos EUA.

Passa assim a ser um mundo unipolar, em que os EUA passaram a ser a única grande superpotência. Os EUA – têm 1 modelo de organização que lhes permite sobressair, pois passaram a governar o mundo em termos político, militar e económico. Tem o poder suficiente para satisfazer a sua vontade, não dependendo de qualquer outro país.

 

Fukuyama, faz uma análise histórica das democracias. Quando os países não conseguem continuar a governar, esse governo “cai” (por falta de legitimação) e ergue-se uma democracia

Exemplo: poderes ditadoriais, como Portugal com a rev 25 de Abril – pelo não controlo da sociedade civil;

Aconteceu ditaduras também na América latina, Espanha (morte do general Franco) e Grécia e filipinas, que passaram a ser democracia.

 

Antes de 1970, existiam 3 democracias a nível mundial: EUA, França e Suiça.

Depois de 1900: mostra que cresceram 62 democracias.

Embora alguns países ainda não tenham atingido uma democracia liberal estável ou outros que ainda estão em formas de governo mais atrasadas, o “ideal” de democracia tem que estar sempre presente como meta, na medida em que a “democracia liberal é perfeita”.

Significa isto que, ao longo da história da humanidade, as sociedades sofrem transformações a nível da organização social, em que o fim único da evolução da humanidade é o modelo da democracia liberal – o estado óptimo.

 

Para Fukuyama, os EUA representam a única potência com capacidade de intervir em qualquer ponto do mundo sem ter qualquer tipo de resposta à altura. Eles predominaram pelo seu sistema democrático ficando com o domínio total de toda a humanidade.

Esta capacidade justifica-se pelo modo organizacional (2.º Fukuyama era perfeito) que se baseia no modelo da democracia liberal:

– a economia é de mercado livre,

– o sistema de valores depende exclusivamente da liberdade individual e,

– em termos jurídicos, pela consagração de uma constituição, o estado é de direito liberal.

Assim, o modelo dos EUA é considerado a “a forma final de governo humano”.

O estado dos EUA, está no seu estado mais perfeito.

 

                                                                                F.D.H passagem da evolução da humanidade

 

                                                                                           Planalto

 

 

A zona do planalto: Quando toda a humanidade estiver em democracia liberal. Quando o homem atingir a liberdade plena e o reconhecimento (elementos estruturantes da sociedade).

Fukuyama afirma que aconteça o que acontecer, a história terá esse fim.

A democracia alcança-se quando se encontrar nas mãos de alguns considerados “ideias” por Fukuyama.

 

Ao longo do sec xx os países pouco a pouco adoptam o modelo democrático.

 

O estado homogéneo Universal é alcançado quando toda a humanidade atinge o estado democrático liberal, quando existir a liberdade plena e o reconhecimento do homem ligado à auto-estima – Modernidade.

O estado homogéneo universal: consiste no pensamento em que o homem só vai ser considerado quando estiver na sua própria dimensão (atingida apenas com o modelo da Democracia Liberal). Mas, isto não significa que a democracia liberal de hoje esteja livre de injustiças e de graves problemas sociais. Estas situações são produto de uma incompleta aplicação dos princípios da liberdade e da igualdade em que a democracia moderna se fundamenta.

 

Os países que ainda não alcançaram o óptimo do modelo, ainda têm imperfeições com base das dificuldades das sociedades. Em qualquer altura um estado pode enfraquecer (talvez devido a pobreza, pois não tem recursos para alcançar o máximo do planalto, ou devido ao tipo de politica que é imposto). Esse estado pode enfraquecer podendo voltar novamente para o estado de ditadura.

 

Para Fukuyama, resolver o problema da pobreza é fundamental, tem de ser resolvido para que se possa atingir a liberdade plena.

 

Fukuyama foi demasiado simplista na compreensão destes dois conceitos:

Classifica-os de modo clássico:

 

Liberalismo: sistema legal que define direitos, liberdades e garantias dos cidadãos;

Democracia: Permite que todos os indivíduos possam participar activamente na politica, através de eleições livres, periódicas e multipartidárias;

Reconhecimento: está ligado à ideia de auto-estima.

Modernidade: ligado à auto-estima;

A ideia de Fukuyama deriva de Platão e está a ser utilizada, 2.º alguns, de forma errada.

 

Modelo Americano da Democracia Liberal – Modelo organizativo óptimo – é composto por 3 sistemas fundamentais:

 

Sistema económico: Liberdade plena do mercado, tanto em produtos como em consumo, sendo portanto um mercado livre. o mercado livre – alastrou e conseguiu produzir níveis de prosperidade material sem precedentes, tanto nos países industrializados como nos em vias de desenvolvimento.

 

Sistema de valores: Próprios princípios da democracia definida pela liberdade, direitos e garantias. O ser humano procura assim o reconhecimento, o seu próprio valor e os princípios que atribuem valores, sendo estas as principais características que distingue o homem de outro qualquer animal – o valor e o prestigio.

 

Sistema jurídico: Garantir os direitos individuais e colectivos – estado de direito democrático. Sistema jurídico onde tudo é igual. Defende que a razão pela qual somos democratas baseia-se na garantia de direitos básicos por uma lei fundamental, uma consideração que não procura recuperar a totalidade do homem apenas no aspecto económico

__________

 

Perigos para o fim da história:

– Considera que quando o indivíduo alcança o estado o máximo de tédio – Natureza do indivíduo, prosperidade e evolução, tende a criar manobras de diversas formas para ultrapassar o tédio. A 1.ª guerra Mundial não tinha nenhuma razão de acontecer, só aconteceu devido ao tédio que se vivia naquele momento.

– Fundamentalismos religiosos: Islamismo, devido à sua dimensão. Promove um maior perigo para o fim da história

– Em qualquer altura um estado pode enfraquecer (talvez devido a pobreza, pois não tem recursos para alcançar o máximo do planalto, ou devido ao tipo de politica que é imposto).

 

 

Alam Bloom, (professor de Fukuyama) traduzu o livro Introdução à Leitura de Hegel – Lições sobre fenomenologia e do espírito, escrito por A. Jojeve (1202 – 1968). Este livro surgiu de inspiração para Fukuyama. “O Fim da História” é sobre o indivíduo que finalmente emerge – “O último homem”, no qual entra na sua própria dimensão e se apropria de si próprio.

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