Sociologia_ Sociobiologia_ Obstaculo epistemológico

Publicado: julho 2, 2010 em Sociologia

4. A SOCIOBIOLOGIA COMO OBSTÁCULO NATURALISTA OU BIOLOGISTA À EXPLICAÇÃO SOCIOLÓGICA

Sociobiologia explica os fenómenos sociais através dos fenómenos biológicos, através do comportamento dos genes. Afirma que os genes são egoístas e que tem o único fim de máxima reprodução.

As ciências sociais explicam 10%, o restante vem da Sociobiologia.

 

                      1. EDWARD O. WILSON E O SURGIMENTO DA SOCIOBIOLOGIA

A Sociobiologia nasceu em 1975 com “Sociobiology – The New Synthesis” tem como mentor Edward O. Wilson, professor americano da Universidade de Havard, especialista em microbiologia e doutorado em Filosofia.

 

Há, contudo, antecedentes à Sociobiologia como a descoberta do gene por Mendel, a descoberta do ADN por Watson e a teoria da selecção natural de Darwin que é a base de sustentação da Sociobiologia.

 

“Sociobiology – The New Synthesis” (1975) é a tese sobre o comportamento dos animais (genes) e o comportamento humano.

 

 Faz-se compor por 3 grandes partes:


1) Fundamentos biológicos, fundamentação teórica-cientifica exclusiva na biologia e no comportamento dos animais e o altruísmo que é relegado para ultimo plano.


2) Comportamentos Sociais que os explica com base exclusiva na biologia.


3) Explicação Sociobiologia no quais começa por considerar os primatas não humanos, o principio da concorrência (os seres vivos estão sempre em concorrência que é perfeita) e o principio da selecção (processo egoísta e cego, ou seja, os menos aptos cedem lugar aos mais aptos). O processo egoísta e cego é tido como o mais significativo na abordagem da Sociobiologia porque este quer garantir a sua sobrevivência e também a sua replicação.

 

Como se pode ver, a Sociobiologia não respeita a abordagem de produção cultural, o que é um elemento diferenciador das sociedades humanas da dos animais.

A Sociobiologia pode confundir-se com a etologia, mas tal não pode acontecer, porque a etologia estuda os comportamentos sociais dos animais, mas não atribui esses comportamentos ao ser humano.


Assim, pode-se definir como princípios da Sociobiologia que todo o comportamento do gene é egoísta e rege-se pelo princípio da selecção natural, no qual os genes mais fracos dão lugar aos genes mais fortes. Assim, tem que se criar boas condições para os genes terem a máxima reprodução possível.


Contudo sofre várias críticas:

 

Livros:

Marshall Sahlin, “os usos e abusos da biologia” de 1976

Marchal Shkein em “Uses and Abuses of Biology” (1976) demonstrou que Wilson não conhecia tão bem as ciências sociais para reflectir sobre elas e criar uma “ciência” com base numa. Impacto negativo a nível ideológico – uma reacção violenta.

 

Livro (em resposta a MARSHALL): Wilson, “On human nature”(1978)

          No prefácio pede “desculpa”

          No restante livro, fala normalmente sobre os fenómenos Sociológicos.

 

Outro livro de Wilson: “Mind, Gene and culture”, 1982

                              Fala sobre a objectividade da ciência.

 

Sociobiologia em Portugal:

 

Para a comunidade científica portuguesa, a Sociobiologia é considerada uma abordagem interessante do ponto de vista científico, mas com coisas sem lógica.

 

1.ª Reacção:

– Luís Archer em “Temas biológicos, problemas humanos” apresentou uma reacção neutra.

 

2.ª Reacção:

– Bracinho Vieira (O biólogo e etólogo) em “A etologia e as ciências humanas” – é mais radical, dizendo que a Sociobiologia não tem qualquer tipo de interesse (reacção generalizada). Apresenta várias estratégias, dizendo que para estudar o comportamento animal, não é necessário a sociobiologia.

 

3.ª Reacção:

– Germano Sacarrão é contra a Sociobiologia, dizendo que é uma abordagem insultuosa, afastando-se qualquer abordagem científica e que prejudica a Sociologia. (reacção violenta).

 

 

O QUE TEM A VER COM A MARGARET MEAN??

Margaret mean demonstrou que o o seu estudo representa uma forma de ultrapassar os obstáculos naturalistas. Ela conseguiu com uma simple pergunta de partida. Seu estudo representa um exemplo de ultrapassar um obstáculo epistemológico.

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