Sociologia_Antecedentes da abordagem de Fukuyama

Publicado: julho 2, 2010 em Sociologia

  

       c) Antecedentes da abordagem de Fukuyama

                 . Alexander Kojève (1202 – 1968):

Alexandre Kojeve nascido em 1902 no Império Russo. Consagrou-se como filosofo de tendência marxista e hegeliana. Era filho de pais ricos. Desconfia-se que ele prestou serviços do KJB. Após a Revolução Russa, mudou-se para a Alemanha e mais tarde para a França, onde foi professor na “École pratique des hautes études” de Paris, (1233 a 1939)
Em 1947, publicou “As Lições de fenomenologia do Espírito de Hegel” no qual interpretou as ideias de Hegel de forma analítica e crítica, ou seja, não foi uma tradução genuína. Esta obra não foi totalmente sua.

·         Raymond Queneau – era um dos alunos do Kojéve, que tomava notas de suas aulas. Foi quem redigiu a maior parte da publicação “As Lições de fenomenologia do Espírito de Hegel”, a partir das notas tomadas durante os seminários ministrados por Kojève.

·         Jean Hypolitte – aluno de Kòjeve. Deixou de ir às aulas de Kójeve para não ser baralhado por ele. Notabilizou por seus trabalhos sobre Hegel, traduziu “à letra” algumas obras do Hegel. Assistiu ao famoso curso de Kojève sobre a Fenomenologia do Espírito, de Hegel.

·         Raymond Aron – Aluno de Kojève

·         Marleau- Ponty – Aluno de Kojève

Após a Segunda Guerra Mundial, Kojève abandonou a actividade docente, passando a ocupar um cargo no Ministério da Economia e Finanças da França, e participou na génese da criação da União Europeia, Mercado Comum Europeu e do GATT.

Kojeve não faz uma interpretação à letra de Hegel. Ele utiliza o Marx e Hussel para fazer uma crítica do Hegel.

Uma coisa é a partir de uma obra, outra coisa é partir de uma tradução.

Neste sentido, As ideias de Fukuyama, não são originais, pois não leu o Hegel no original, mas limitou-se a fazer uma leitura enviesada do Hegel, a partir do Kojève.

Kojeve,

Reavivou o Hegel e transportou um conjunto de estudos sobre ele, sobre a ideia de que as sociedades caminhavam para um fim. A sociedade tornar-se-ia igualitária, sociedade sem classes (defendida por Marx) onde existe plena liberdade.

O modelo que permite o Fim da História é diferente. Faz a sua interpretação pelos principios de Marx.

Ele tinha o seu próprio modelo do Fim da História, que considerava uma nação correcta – a Rússia De Estaline.

A Rússia Estalinista, 2.º Kojeve, tinha as condições necessárias para realizar o F.D.H. Esta apresentava um modelo em que não havia estratificação social, criando-se todas as condições para que os indivíduos pudessem usufruir de plena liberdade.


Defendia que era com um estado centralizado que havia a possibilidade de garantir as liberdades e necessidades dos indivíduos, um instrumento fundamental para assegurar as necessidades de todos. Além disso, era um estado sem classes, não existindo conflitos políticos e todos tinham o princípio da garantia de direitos, liberdades e igualdades.

Todos os países teriam a mesma forma de organização, promover a liberdade plena e a nível de economia seria muito pacifico com o mercado regulado (diferente de fukuyama que defende o mercado livre).


Mais tarde, antes da 1.º guerra mundial, com a visita à URSS, Kojeve desiludiu-se e mudou de opinião, com o facto de existir uma elite que estava no governo e que tinha em si direitos diferenciados, o que levava a desigualdades. Notou que havia diferenças sociais, que eram muito pobres.

Chegou então à conclusão que será uma ideia errada, pois a sua ideia de Fim da História não correspondia com a Rússia de Estaline.

Após a Segunda Guerra Mundial, Kojève abandonou a actividade docente, passando a ocupar um cargo no Ministério da Economia e Finanças da França, e participou na génese da criação da União Europeia, Mercado Comum Europeu e do GATT.

Por causa das negociações da União europeia, Kojève passa a ter uma ideia diferente dos países. Na sua opinião, então, o país que melhor se identificava com a sua perspectiva, seria o Japão, porque o espírito japonês era de trabalho árduo ao longo da vida de modo a morrerem de forma honrosa, isto é, atingirem a morte de forma digna. Deu um salto muito grande, evoluindo substancialmente em termos técnicos e preservou o código de honra dos samurais, que promovia o equilíbrio, a estética.
Kojeve acreditava, nesse caso, que o Japão (país desenvolvido para a época) tinha em si as características sociais e politicas que mais identificavam com o modelo do Fim da História.

 

                . W.G.F. Hegel (1770 a 1831)

Apresenta, pela primeira vez, a ideia de “Fim da História” e o conceito de “Estado Homogéneo Universal

Hegel nasceu na Alemanha e foi um filósofo alemão. Hegel começou a leccionar na Universidade de Jena durante 5 anos ( 1801 a 1806). Era fascinado pela Revolução Francesa. trabalhou muito com a história, desenvolvimento lógico, o Saber absoluto. Sendo filósofo permitia perceber melhor esta evolução.

Após a revolução francesa, a França estava longe da estabilidade política, económica e social desejada. O exército francês, liderado por Napoleão dava conquistas consecutivas, sendo considerado um exército libertador, já que transportava consigo as ideias revolucionárias – Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Assim Napoleão era visto como herói pela população e considerado líder pela burguesia. Napoleão representava a alternativa política ideal para solucionar os problemas franceses. Hegel assistiu à invasão e vitória do império Napoleónico na Prússia, chamada a batalha de Jena (1806).

Esta transmissão de valores de Napoleão espalhava a imagem do triunfo dos ideais franceses nos quais o indivíduo tem a possibilidade de se apropriar de si mesmo.

 

Em 1807, publicou a obra “ Fenomenologia do Espírito” no qual contem o desenvolvimento lógico das suas ideias e o conceito de “O Fim da História”.

Hegel acreditava que a evolução das sociedades humanas era limitada – acreditava que a humanidade conseguisse atingir uma forma de sociedade que satisfizesse as suas mais profundas e fundamentais aspirações, a liberdade – era o estado liberal que se associava ao modelo de Fim da História.

 

Segundo Hegel, os seres humanos, tal como os animais, têm necessidades naturais e desejos de objectos que lhes são externos e, acima de tudo, a preservação dos seus próprios corpos. Contudo, o homem distingue-se porque deseja ser reconhecido como ser humano, com valor e dignidade, reconhecida pelo estado através da garantia de direitos, atreves do liberalismo.


Para Hegel, a maturação da história, o fim último, dá-se quando o homem tem a possibilidade de ser plenamente livre.


Para o autor, a simbologia da guerra franco-germanica significava um triunfo de um modelo, um modelo napoleónico. Este triunfo acontece quando Hegel obaserva Napoleão no seu cavalo, representando o Fim da História, pois alcançou naquele momento, ao anoitecer, o planalto, permitindo ao homem usar os seus direitos e liberdades.
Hegel acreditava que o modelo napoleónico seria acolhido mundialmente por ser um modelo de tipo perfeito, isto é, um estado homogéneo e universal, de liberdade plena.

 

 

Evolução da história

 

 

                                                                                       Conhecimento absoluto

                                                                                                     Liberdade perfeita, um fim!
       consciência abstracta                                                           “o homem por si próprio”

                                                                                                                (F.D.H)

 

Há uma evolução filosófica – A história da Humanidade – e tenta explicar a realidade social através da consciência – consciência Abstrata  – passando por vários estudos cognitivos até atingir o saber absoluto, a totalidade da realidade que permitia algo essencial, a liberdade plena de cada individuo. A partir deste não há nada de novo. O homem ao ter conhecimento de si próprio pode fazer a sua liberdade, procurando a melhor forma de organização.

 

Portanto, o modelo Napoleónico representa o modelo governativo a ser adoptado – O fim da História – o saber absoluto.

 

Hegel apresenta o conceito de estado homogéneo universal:

Utiliza o modelo napoleónico como: “A ave de Minerva levantou voo ao anoitecer” (simbologia)

Minerva- era deusa da sabedoria e da guerra.

Ave – ave noturna (curuja)

Levanta voo para o saber absoluto, pois a escuridão já não lhe proporciona qualquer desconhecimento.

 

– Infancia: modelo oriental;

– Adolescencia: modelo Grego;

– Fase viril: modelo romano;

– Fase de maturidade e reflexão: Modelo Germanico;

– Fase final: modelo napoleónico – “A curuja levantou voo ao anoitecer” – F.D.H

 

 

Conclusão de todos os autores:

 

Todos viveram na 1.º pessoa, cada um deles escreveu o “seu” fim da história, como processos de mudança importantes para a análise social.

 

 

 

AUTOR

MODELO

PAÍS superpotencia

F.FUKUYAMA

(1952 –      )

Democraçia Liberal

EUA

KOJÈVE

(1902 – 1968)

Sociedade igualitária – Rússia Estalinista

Mais tarde – Japão

Rússia

HEGEL

(1770 – 1831)

Ideários da revolução Francesa e triunfo do império Napoleónico

França

 

 

  d) Antecedente Clássico: Políbio (c.200 a.c – c. 118 a.c)

Polibio viveu no século II a.C., sendo o antecedente clássico do conceito “Fim da História”, mas quem nos dá o verdadeiro conceito é Hegel.


Polibio é grego e fez parte da nobreza da sua cidade natal. Ingressou aí na actividade política, devotando-se à defesa da independência da
Liga da Aqueia. Políbio liderou a defesa da neutralidade da Aqueia fazendo de tudo para que a liga Aqueia não se envolvesse no conflito existente entre os romanos e os gregos. No entanto, foi feito prisioneiro dos Romanos porque acreditava-se que ele estava envolvido numa conspiração contra o Império Romano. Assim, foi levado para Roma, e ficou instalado na casa de um general Romano – Cipião Emiliano, que dirigia a guerra em Cartago, cidade completamente destruída pelos Romanos, tendo um cargo de receptor e conselheiro do general.

Roma tinha em si a capacidade de expansão em várias áreas, ou seja, era considerada uma superpotência.


Deste modo, Polibio conheceu as estratégias militares e politicas romanas, tentando compreender a sua força supremacia perante as outras civilizações. Teve a noção de como os romanos planeavam estratégias.

Polibiu viu assim a derrota de Cartago (outra super-potencia) em que os indivíduos que sobreviveram perderam a sua identidade. Descreve-a nas histórias de Poligon.

(págia 73 – Livro Betencourt)

Polibio questionava-se sobre: o que é que faz dos romanos um povo tão forte? Analiza assim as formas de organização politica dos romanos e conclui que têm na sua estrutura politica algo muito importante, que lhes deu a possibilidade de triumfarem e como é que isso se passava ao longo da história: constituição mista – a partilha do poder.

Políbio – Constituição Mista

Constituição que tem o equilíbrio dos poderes.

Chegou, então, à conclusão que os romanos continham em si formas puras de governo (visam o bem comum), aristocracia, democracia, monarquia; e formas degeneradas (visam o bem de alguns), tirania oligarquia e demagogia.

O governo era Monárquico culminava na Tirania. A tirania na Aristocracia. A aristocracia na na oligarquia, a oligarquia na democracia, a democracia na Demagogia. Aqui apareceria novamente um monarca para reestabelecer o equilibrio

                    

        Anaciclose Perfeita

 

 

Fórmulas Puras

(Visam o bem comum)

Formulas degeneradas

(Visam o bem de alguns)

Monarca

Tirania

Aristocracia

Oligarquia

Democracia

Demagogia

 

Há medida que a história avança, eles vão conseguir estabelecer as fórmulas impuras.  O ciclo segue sempre o mesmo sentido e caminho.

 

1.º PRINCIPIO SOCIOLÓGICO:

As formas puras degeneram necessariamente;

2.º PRINCIPIO SOCIOLÓGICO:

Todas as formas degeneram na forma corrupta que lhes seja mais próxima;

 

 

Constituição mista:

1.º Consul, vestígio monáquico

2.º Senado, vestígio da Aristocracia

3.º Trinunos da Plebe, Vestigios da democracia

Estes ocupavam o poder em simultâneo, conseguindo assim consiliar os três tipos de governo dominantes. O cônsul era duas únicas pessoas e o Senado e Tribunos da Plebe eram um grupo.

Esta constituição mista consiste em dois cônsules (seis meses cada uma, monarquia, senado (aristocracia), tribunos da plebe (representam a sociedade, a democracia). Esta constituição permite uma vigilância permanente uns dos outros, tomando a governação perfeita e triunfante.

Vantagens: vai impedir que haja uma degenerescência dos grupos, vigilância e as virtudes de cada uma das fórmulas, para não governarem para os seus próprios interesses.

 

Portanto, Polibio constatou que Roma com a Constituição mista, “representa” o Fim da História. Ele não falou em FDH, mas a descrição é semelhante ao raciocínio de Hegel, rojeve e Fukuyama.  

 

Concluindo, cada autor tem a sua perspectiva e modelo de Fim da História, porém, todos estes autores se relacionam, na medida em que todos tinham um modelo organizacional a um estado triunfante, homogéneo universal e são todos contemporâneos da época em que consideram existir o fim da História.

Enquanto filosofia social (diz como a realidade deve ser) qualquer um destes autores propõe um caminho. Mas, no entanto é hipotético, porque o homem é complexo, não sabemos o que vai acontecer no dia de amanha. Não podemos afirmar qual o governo que vai imperar.

 

 

Atitudes de um sociólogo para com o FDH:

– olhar para o FDH e perceber o que aconteceu entre os impérios:

O império Romano – caiu;

O império Frances – caiu;

A URSS també caiu

E EUA – ? Não sabemos!!!!

 

Portanto, Enquanto sociólogos temos boas razões para acreditar que Fukuyama, como hipótese, é uma hipótese válida, mas pode não ter razão, porque cada um deles, triunfou no seu tempo, mas depois ruíram.

A atitude de um cientista deve de ser aberta e tem de interpretar os resultados.

 

 

Recomendações bibliográficas:

CÂMARA, João Bettencourt,  Análise Estrutrutural Contemporânea…, ISCSP, Lisboa, 1993, pp.68-78.

CÂMARA, João Bettencourt, Noites de San Casciano, Editora Vega, 1997.

HEGEL, George Friedrich, La phénoménologie de l’esprit , Aubier, Paris, 1987.

FUKUYAMA, Francis, O Fim da História e o Último Homem, Gradiva, Lisboa, 1992

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